O Curioso Caso de Benjamim Button

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O Curioso Caso de Benjamim Button

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 Quando vi o trailer de o “Curioso caso de Benjamim Button”, pensei tratar-se de mais uma ficção chata daquelas que tanta mentira resultaria  uma chatice maior ainda.

 Eu sabia que era  um filme adaptado do conto de F. Scott Fitzgerald, e que isso poderia dar um charme à estória. Outrora, em época de Faculdade, eu havia feito um trabalho de análise literária sobre outra obra do mesmo autor: The Great Gatsby. Foi deste romance que reconheci a habilidade do autor de criar drinks; neste, aprendi a gostosa sensação de misturar martini com soda. Pois bem, há um drink novo na filmagem do conto de Scott- agora mais forte e requintado à base de Wisky. E,de fato, há um charme diferente na maneira de  contar a estória de Benjamim Button. É extraordinariamente trágica a inventividade de se calcular quão doloroso é rejuvenescer ao longo do tempo e observar a velhice das coisas. E , além disso, acompanhar de perto as pessoas queridas envelhecendo com o tempo e morrendo. Enquanto isso, sua juventude- mais vívida do que a do narcisista Dorian Gray-, vai causando o pior dos incômodos. Neste momento, Brad Pitt empresta apenas a plasticidade de sua beleza para realçar a ideia de rejuvenescer ao longo do filme. Isso causa grande impacto para a plateia, mas internamente , para a personagem , é um verdadeiro martírio. A dor se intensifica quando se descobre pai. Então começa a especular como seria acompanhar o crescimento dos filhos à proporção que ia rejuvenescendo. Nesse aspecto, a questão do amor suplanta qualquer interesse mais subjetivo ao ponto de começar a pensar o futuro deles sem sua presença. Acho que nessa parte do filme, Brad Pitt falha ao não desenvolver a personagem de forma mais dramática, deixando a cargo da imagem o poder de descrever o real sentimento. Mas fica claro, por meio do abandono da família, todo o tormento de saber que não poderá sobreviver, de forma madura, aos acontecimentos periódicos em sua ordem cronológica esperada. A fuga de seio familiar parece mais um recurso da estória em si, mas se encaixa perfeitamente na estrutura do filme com o apelo das imagens. A covardia de Benjamim em encarar a vida com seus problemas parece um tema atemporal e aplica-se a muitos de nós.

Parágrafo à parte deve ser dedicado a Cate Blanchett. Ela atua com primorosa participação; não só emprestando sua beleza clássica, mas sua presença marcante. Não sei se é porque gosto de mulheres ruivas e brancas, mas ela consegue criar de forma apurada a personagem dando vida a ela. Além disso, ela nos deixa esquecer que , de fato, tudo aquilo se trata de ficção. Meu choro não foi à toa, tampouco falso. Mas é difícil não se envolver com tanta emoção. A prerrogativa de Button coloca-o num patamar de excentricidade que nos convoca a pensar sobre máxima bastante antiga; de fato trata-se de um provérbio americano: “damos valor às coisas somente quando as perdemos”.

Talvez eu pudesse encerrar, inteligentemente, de outra forma esse comentário sobre o filme em questão; e deixar escapar toda a gama de emoções que o filme quis repassar. Mas, na verdade, não há outra maneira de melhor retratar uma estória de amor tão linda e, extraordinariamente, tão surreal (sugestão de leitor assíduo)

 

 

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