A Análise Psicológica dos “Nick Names” em Sites de Bate-Papo.

Perda ( permissão para intromissão da poesia neste blog)
02/04/2009
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28/04/2009

A Análise Psicológica dos “Nick Names” em Sites de Bate-Papo.

 

Dias desses, quando a solteirice lhe chama pelo nome de solidão. Lá estava o computador a me chamar de idiota, pois eu estava me sentindo sozinho. Então, cedo aos clamores da internet sedenta de meus sôfregos toques. E quando me imagino de novo em frente ao monitor-reflexo-anteparo-de-minha-dor, debruço-me na questão quase filosófica-existencial: `que nick vou colocar no bate-papo?`. O que era apenas uma diversão tornou-se um dilema dialético. Fiquei a lucubrar qual personalidade me tomava naquele momento de clamor. Seria eu a passiva descontrolada, pela alcunha de rabão-guloso? Ou me tomava um sentimento de pura libertação das minhas próprias amarras e então aparecia: o versátil-passivo? Ou havia em mim a necessidade de contemplar o novo, o insólito: ativo-mete-devagar? Fiquei pensando, por muito e muito tempo, em que pese o clamor das lacunas piscando para que eu decidisse de pronto que nome adotar. Pensei, pensei… Aí vieram as letras da música do Pet Shop Boys: Too many People. E era aquilo que sentia, “as vezes me sentia muitas pessoas, muitas pessoas ao mesmo tempo…um intelectual , um bon-vivant… Mas não haveria interesse se eu usasse, por exemplo, o nick de passivo-com- frizante-e-a-prosa-de-Wilde. Ninguém sequer comentaria (comeria). E se por acaso, ocorresse-me colocar: todas-as-possibilidades-se-houver-amor. Apenas aqueles em pleno conflito existencial trocariam algumas palavras comigo e logo após cometeriam o suicídio. Mas tudo dependia de meu personagem naquele momento; e dependia também de minha voracidade sexual; de minha índole sobre a cama e de meu empenho em mudar alguma coisa. Pois bem, todas essas alternativas cabiam em mim. E todas elas se afastavam, porque o desejo de busca primeiro sacia a libido, depois vem a troca de telefones e o viés contrário dessas experiências- o que , de fato é uma raridade. Eis que uma mensagem pisca no meu monitor: uma mensagem acabara de chegar. A pessoa do outro lado do monitor perguntava: `seu Nick faz uma referência a data do calendário francês da revolução francesa?`Fiquei sem resposta, depois de tanto tempo a usar um nick diferente, alguma alma, que há de se salvar, acertou com detalhes minha alcunha esdrúxula. Então, dei-lhe meu endereço eletrônico e fomos papear privativamente no hotmail. A caixa de diálogo logo piscou e pulou da tela: `oi cara seu nick do hotmail tem a ver com Oscar Wilde?`Nossa! Fiquei sem palavras. O rapaz tinha de ser especial. A lacuna que gritava dentro de mim e na tela do computador se enchia de certa felicidade e o diálogo se prolongou por muitas horas. Depois de tantas descobertas, a pergunta que não queria calar já não podia mais ser sufocada. Os dois haviam falado de diversas coisas: artes, música, vinhos, predileção por filmes, etc. Entao, eis que a magia do clima é quebrada com a revelação pelas duas partes de suas preferências sexuais. Foi quando o cara especial respondeu: `Eu uso gasolina e álcool`. Mas restava uma dúvida a respeito da `atividade` e da `passividade` desses dois elementos altamente inflamáveis. Cogitei em associações pertinentes para não ter que revelar que ele havia subestimado meus conhecimentos sobre biocombusteis e assuntos correlatos. Mas, mesmo assim, despi-me de qualquer pudor e comecei a redigir a clássica pergunta: `Você é at…`Antes que terminasse, ele se antecipou dizendo : ` sou passivo`

P.S.: Continue acompanhando o conto “Ele nao beijava” nos próximos posts.

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