A pedra do sono de João na selvageria das rosas

Direitos iguais
03/07/2009
PANDEMONIUM
09/07/2009

A pedra do sono de João na selvageria das rosas

            Adquiri uma antologia poética de João Cabral de Melo Neto. Trata-se de uma tentativa de encontrar o poeta por ele mesmo em suas poesias, uma vez que ele não fala muito de si: “Sempre evitei falar de mim, falar-me. Quis falar das coisas. Mas na seleção dessas coisas não haverá um falar de mim?”. Por essa razão a existência do Livro “O artista inconfessável”, pela editora Objetiva.

            Sua poesia é inventiva e falar de si é falar da natureza que o cerca. Sempre olhando o movimento dela como se parte de sua própria natureza. Andarilho que era sempre levava o olhar de Recife consigo. Suas visões misturavam os sabores de sóis diversos. Alucinações de ver Sevilha como um sertão. Era o poeta que advogava a o diálogo com a pedra, a vida pela pedra. E, de primeiro, neste contexto, lança seu primeiro livro: “Pedra do Sono”. Este livro me causou tanta felicidade.  Pois em minha pretensão de poeta menor – plagiando Bandeira -, coloco-me também aquém da poesia cabralina. Mas me coloco no caminho, quando descubro que seu primeiro livro tem como tema a natureza da pedra; a pedra do sono, a natureza em observação. Por isso, me resigno de qualquer pretensão maior, na simplicidade de meu primeiro livro a observar as flores que de alguma forma, também, dialogam comigo. Não à toa, “Rosas Selvagens” é observação da natureza em sua instância mais vívida encontrada nas perspectivas diversas como a mudança do curso dos rios, a fortaleza da imagem, nas folhas de jaqueira ou mesmo na maestria de um toureiro.

            João Cabral era assim. De início, na lira de seus Vinte anos, uma obra sem páginas numeradas que me enche de proporções ilimitadas, que me impulsiona no lapidar do uso da língua; no intricado jogo dos regionalismos e neologismos, enfim, na prolixidade de nossas almas.

            Por tudo isso, devo prosseguir comparando-me de início à obra do Grande João como em meu livro de estréia sem páginas a mil, no entanto carregado de esperanças.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *