O vento frio e coisas com carinho; também um pouco de saudades e cucuz da mamãe

Deuses Furiosos
18/08/2009
Saiu no Correio Braziliense
26/08/2009

O vento frio e coisas com carinho; também um pouco de saudades e cucuz da mamãe

Um momento quase como esse de ar frio, envolto pelo cheiro familiar. Parece café com pão; pode ser o de milho cozido. Ao passo da batida, consigo a coreografia para a música; assim a caminhada se torna menos cansativa.

 

E também há a alameda, enquanto me aqueço com meu próprio corpo, meus braços cruzados; e ainda assim, as coisas continuam sem fazer sentido.

 

A música fala de imagens próprias; filmes talvez. Filmes de si. Penso que sejam pequenos flashbacks, como pequenas passagens daqueles filmes de erros que cometemos. E então, têm-se as flores do jardim do lado. Bem decorado; com todo o denodo de um artista apaixonado.  As flores fazem parte de um filme. Talvez seja sobre mim ainda.

 

 Ainda os flashbacks. E as flores vêm com o um cartão de desculpas pelo momento anterior. “Ontem, desculpe-me pela ousadia”. – Por que flores têm a ver com desculpas maiores?-, sempre as questiono dentro de meus pequenos filmes.

 

O passo é firme e não claudica, enquanto a música muda; quando a história parece culpar o outro. Nem sempre a culpa é algo palpável. Meu ódio era apenas das flores. – Que mau gosto!_ e as coisas pareciam rearranjadas como livros coloridos. E os filmes pequenos? Pois lá estávamos eu e as flores, e ele e suas desculpas. Eu não poso parar esse filme. Ele se repete sempre em minha memória.

 

E o cheiro recorrente de saudade desenha outra cena. O café com pão sobre a mesa da casa. Lá está mamãe a servir seu carinho e a comida juntos. Ela e seu amor por mim serviam a mesa. E tudo estava tão simples e perfeito. Era minha mãe.

 

E quando penso na existência de minha mãe, todas as coisas parecem perfeitamente repletas de sentido.

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