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The way it used to be

Hoje chorei bastante porque não me restava a alternativa de uma faca ao peito. Pois dói as duas coisas contundentemente pelo fato de subsistir o amor.  – Mas como canto esse amor em rimas de dor?- pergunto sem a menos intencionar um diálogo. Sou eu apenas. Talvez tenha a ver com culpa, mas de nada ela serve; só empresta um falso fundamento a tudo que quero dizer. E ainda não consigo dizer nada porque como posso falar de amor se desisti de tudo; de toda a segurança do amor; de toda a retribuição que possa existir. E insisto que não é um diálogo. Porque não quero suas respostas, caro amigo. Apenas desabafo com o peito ainda em soluço pueril, olhos vermelhos e revolta indigna.

“As coisas como estavam” é assim que a música repete e de quem mais gosto que me entende ao ponto de caber como luva, sem importar a distância e ignorar-me por completo. Mas é nisto que está a magia da boa música. “Then and there my life made sense, you were the evidence”, mas se não for apenas esse momento de arrependimento, os outros de putaria me dão outro sentido de vida, até que encontre de novo o vazio das noites chuvosas de domingo. Deixo a dor se repetir e a rima encravar-se como a faca que não existe.

Tento cantar mais triste; mudo o tom para secar as lágrimas e ainda continuo o mesmo. Mas o tempo vai passando. Troco as músicas e elas começam a falar de outras coisas mais cinzas, mais tristes. Ainda assim, detenho-me na letra confusa e na indecisão de meus sentimentos. Tudo para entender esse novo sentimento de tempo passado e vejo que as lágrimas secaram e os olhos requerem um pouco de vinho na garganta. – Será que o ritmo se repete?

Parei de escrever porque ainda procuro ressignificar algumas coisas, pois tudo era dois de alguma forma estranhamente harmoniosa; depois vieram três; depois quatro e de alguma forma a desarmonia se fez. Mas então, tem-se a saudade das coisas dividas e especialmente aquele abraço bem antes de o sono vir. E vêm as músicas tristes, e o choro desandou. Nada proposital. E por mais que nos sentimos fortes, as lágrimas são frágeis, tolas, fracas e caem. E sem faca, e sem soluções, nem soluços agora, continuo a escrever e sentir que certa forma a dor recrudesce naturalmente. Seja lá qual for o tipo de dor.

16 de outubro de 2009

É um leve desespero; o mesmo que enche o peito do suicida

É doce também como última colherada provando o sabor das coisas

E ainda assim parece com todo tipo de assunção de crime, qualquer um

Mas a noite passa da mesma forma que a música acabou

É um convite às avessas para continuar a empreender o edifício

Desisto do arquiteto, do fundamento, da obra final…

Vem a semente e edifica tudo, verdes, plantas, edifícios

Quem precisa de medidas para as coisas?

O arquiteto não inventou a felicidade apenas a obra

Não há nada de divino nesta busca de complemento

É um leve desespero que aumenta quando se acaricia

E quando existe não há quem administre

É doce como o último momento de duas sombras

Mas agora é apenas uma alma vagando pelas ruas.

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