A Single Man e Seu Direito de Amar pra sempre

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A Single Man e Seu Direito de Amar pra sempre

 

  

 

Discordo com os que pensam se tratar de um filme gay sem apelos. “A Single Man” é um filme de amor, de um amor fiel e para sempre.

Colin Firth está esplendidamente comovente. O professor sisudo é no fundo um homem que sente as dores da ausência do companheiro perdido num acidente de carro. A rotina é uma luta constante contras as memórias e a lembrança nostálgica do companheiro amado.  Um amor puro e intenso, mas sem os excessos das atribulações dos romances ordinários. É maduro e poético.

O papel do professor de Literatura se assemelha- às avessas- ao do Professor Jonh Keating, vivido por Robin Willians que promovia um olhar de mudança sobre a conduta de seus alunos. Na verdade, George tem a mesma vontade de estimular seus alunos. Sua última aula promove um debate sobre o medo; o medo que temos de que coisas estranhas façam parte de nossa vida. Mas não teve coragem, talvez pelo mesmo conservadorismo enfrentado pelo Professor de Willians, de adentrar na questão da não-aceitação das minorias- os gays. Apenas, um único aluno entendeu o apelo do professor suicida. E assim, às avessas, este despertou no professor o gosto  para a vida. O diálogo primoroso sobre a vida, presente e futuro termina sobre as águas reveladoras de uma praia.

O suicídio é preparado meticulosamente. As cenas poéticas do afogamento do professor são angustiantes e dão reais impressões do que é sentir-se perdido, sem motivação. Mas a presença de Kenny,  o jovem revigorante, nos últimos instantes do professor George, trouxe-o a tona, podendo respirar e sentir novamente os calores da vida. A beleza intrigante do aluno trouxe vida ao Professor, desistindo do suicídio. Mas Jim, o parceiro amado, vivido pelo também talentoso Mathew Goode, não deixou que seu amor se acabasse nas mãos de outro amante. Assim, o que é bom do filme de Tom Ford, é a falta de obviedade.

Em direito de amar, a mensagem – além de muitas outras- na minha opinião, é a visão de que amor realmente não tem sexo, e sim, ele pode ser duradouro, monogâmico e eterno.

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