Algumas palavras sobre ADEUS A ALETO

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Algumas palavras sobre ADEUS A ALETO

Recebi o e-mail do amigo escritor kiko Riaze acerca do meu livro Adeus a Aleto e divido, com vocês, a felcidade de ter recebido a sua análise sobre o livro. Segue abaixo, na íntegra, seu comentário:

A boa arte nunca dá adeus

Conheci Roberto por acaso, logo depois de ele ter lido uma matéria que uma revista brasileira do seguimento GLS fez comigo na ocasião do lançamento do meu primeiro livro. Enviou-me um e-mail com elogios e, a partir daí, construímos uma amizade bem bacana, de trocas de experiências pessoais e literárias às vezes adormecida pela nossa constante falta de tempo, mas nunca esquecida. Na época, Roberto falou-me de seus rascunhos e de suas pretensões de se tornar um escritor. Apresentou-me algumas de suas poesias e contos até o dia em que me surpreendeu com um romance completo, que já nasceu premiado com menção honrosa no Concurso Literário Novos Autores de 2009, promovido pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves, em Teresina (PI).

O título do livro, Adeus a Aleto, nos remete prontamente à idéia de despedida. É o adeus do inspirado narrador às erínias que atormentam sua vida, simbolismos de seus medos, seus anseios e suas angústias do passado – expurgados numa narrativa alucinante, quase onírica, que se descortina a partir do momento em que ele encontra Nikov, um misterioso jovem russo com quem se envolve sentimental e psicologicamente. 
Na mitologia grega, as eríneas eram a personificação da vingança que puniam os mortais, sendo Aleto a deusa implacável que perseguia os criminosos em seus sonhos e atormentava-os até levá-los à loucura. Eram criaturas horrendas do submundo que emergiam do Inferno para castigar os crimes dos homens, especialmente, os crimes de sangue. Temidas pelos mortais, seus nomes não eram pronunciados jamais, e em seu lugar pronunciava-se algo como “bondosas” ou “benevolentes” – eufemismos que passam distante da narrativa ousada, corajosa e transparente desta obra. Nela não há sangue derramado, mas há o poder divino dado ao escritor que ceifa as vidas de seus personagens ao seu bel prazer e se vê perseguido por estas almas errantes em busca de explicações ou, quem sabe, de uma segunda chance.
São os personagens, reais ou fictícios, que dão o ritmo da narrativa e levam o autor a trilhar uma aventura em torno de si próprio e do mundo. Todas as figuras desta obra parecem palpáveis tamanhas são a densidade e a sinceridade sobre as quais o autor deposita. Sem medo, o autor se desnuda e se entrega de corpo e alma à criação de cada perfil. É notória a presença das próprias angústias pessoais do autor em cada linha do texto, de suas buscas, de suas crenças, de sua bondade ou perversidade, o que dá à obra uma sensação intimista e verossímil. 
É em torno da figura do jovem russo Nikov, personagem emblemático da obra, que o autor-narrador se faz mais humano. O escritor não se prende a pudores ou melindres e devassa a sexualidade humana em seus aspectos mais latentes. É libidinoso ao falar de sexo e absolutamente apaixonante ao revelar o seu amor, sem recursos literários sofisticados que tentariam ludibriar as vistas mais castas. É tão transparente que chega a incomodar, mas é justamente nesta transparência exacerbada que a obra tem o seu maior valor, pois a vida real, assim como a dos personagens da obra, não é feita apenas de modelos de boa conduta e, vez ou outra, estamos às voltas com as eríneas que vêm nos atormentar. É a magnífica arte literária desmistificando o sexo e o amor que, juntos ou separados, acabam encerrando a nossa própria existência. 
O próprio autor, num pensamento brilhante deixado em entrevista concedida ao meu blog, afirma que “talvez a necessidade do amor seja apenas uma questão de tempo, ou talvez de escolha. No entanto, não devemos nos demorar muito nessa decisão porque, às vezes, a realidade é um grande sonho; e quando é um sonho, um dia acordamos.”
E foi a partir de um sonho do escritor que esta bela obra se tornou realidade. Um presente incrível para os apreciadores de boa literatura.
Kiko Riaze
Rio de Janeiro, 05/06/2010

2 Comentários

  1. Caco disse:

    Deu vontade de ler.

  2. Jo0se disse:

    Emergi da leitura de Adeus a Aleto um pouco confuso com quem acorda atordoado .Algum conservador desavisado poderia até espernear achando que está num sonho extremamente carnal e iria perder uma tentativa bela e vigorosa de fotografar as entranhas da alma.Em mim,lembranças entrecortadas como cartazes de filmes numa colagem transcendental:”Uma Mente Brilhante” pregando peças em si mesma,a solitária descoberta do corpo numa deserta “Lagoa Azul”.Ficou a estranha sensação de que só o Amor é Real ou como diria Guimarães Rosa:”Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.”

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