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Literatura e amadurecimento

             Um monte de ideias vêm a cabeça nesse processo que é intenso na busca do conhecimento. Há muita informação detalhada que às vezes se perde, e que às vezes me arrodeia. Mas não está sendo assim. Uma postura mais madura está exigindo mudanças substanciais em relação às minhas leituras. Antes nada havia para ser interpretado. Tudo era sentido com a disciplina do medo. A figura de Cristo esquálida no teto, na nave da igreja me ensinava tudo que precisava entender naquela tenra idade. Desde as questões mais simples até as inalcançáveis.  O “não” assumira um tom disciplinador de minhas condutas. Eu não pude entender a indulgência cristã por nenhum viés, senão da conduta resignada de minha mãe que se confundia com aquelas imagens sobre as paredes da mãe de olhar reflexivo e cheio de angústia silenciosa que estampava de Nossa Senhora.

            As leituras também se apresentam mais responsáveis. Não posso mais admiti-las com simples passar de páginas. Elas se impregnam de todo um valor moral,  de retórica, que agora parecem indissociáveis. Anda junto no pensamento a velocidade das estruturas mais complexas de todo o processo cognitivo subjacente. Então a leitura fica mais complicada ao tempo em que as ilações e referencias devem ser feitas automaticamente. Ao mesmo tempo me penitencio por não ter lido, ainda, Hamlet de Shakespeare, ou Sócrates de Platão; e assim como na cabeça de Harold Bloom, um aforismo do rabino Tarphon ecoa dentro da minha: “Não sois obrigado a concluir a obra, mas tampouco estais livre para desistir dela.” Então, o mestrado bate a porta fazendo o mesmo clamor, no entanto, assumo a postura de derrota antecipada. Os livros se cumulam na prateleira aos montes, numa hierarquia de importância e cobrança nunca antes atribuída. E agora lembro de meu irmão, na mais tenra idade; quer dizer, entrando na adolescência, sentado lendo a coleção dos Grandes Pensadores. Penso que ele é que deveria estar pleiteando um passo adiante ao aprimoramento.

            Nessa falta das coisas mais necessárias, ou básicas, relembro agora de culpa. A mesma que me deixava recluso com minhas ideias mais tolas; aquela que aprisionava minha verborragia; talvez a resposta para a filosofia do “não”; ou a alternativa para entender desde aquela época que não me convinha entender tudo. Talvez eu procure um entendimento mais repleto agora que me falta aquela maturidade precoce de meu irmão.

            Espero que ainda haja tempo para as leituras e a compreensão do mundo mais complexo que reside na Literatura da vida.

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