Como pode ser a Saudade?

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Como pode ser a Saudade?

Saudade é aquele olhar perdido no espaço imenso da memória de uma sensação lembrada. É íntima, mas pode ser compartilhada na dimensão das dores envolvidas. Mas em geral, é particular, vivida na intensidade da lembrança resgatada. Aquele olhar fixo não é nada mais do que aquela sensação de perda irreparável, senão pela mente sedenta do momento outrora vivido.

Mas saudade pode ser aquela memória olfativa; o cheiro que gruda nas coisas que lembramos; o perfume que encerra em si uma história dividida. Não raro, essas sensações sensitivas se misturam umas as outras que chegamos a sentir o gosto da saudade na saliva. O cheiro, as lembranças e o gosto se misturam na vivência do passado resgatado. Tudo fruto da imaginação que não se contenta em apenas experimentar o novo, mas se detem na busca das sensações mais íntimas, quase esquecidas, que inevitavelmente nos transportam para o momento anterior ao que vivemos. A saudade se camufla por entre as memórias voláteis, mas sempre submergem para recontar ou reviver um momento. Nem sempre a recordação é de alegria. Geralmente, enrola-se no manto dialético do arrependimento. A memória nesse sentido se divide nas recorrentes lembranças das atitudes tomadas, suas consequências e o aterrorizante resultado. Essas lembranças ocasionam os reencontros, as desculpas, a experiência divina do perdão. As pessoas se deslocam para consertar o presente. E nesse sentido a saudade é sensação reconstrutora.

Há a saudade que recupera a dignidade na eterna lembrança de nossos feitos. Às vezes, vive-se a vida inteira apenas nessas lembranças de resgate. Fomos aquilo do passado. Tememos viver o presente. Essa lembrança pode ser destrutiva e quando menos deletéria, é apenas um registro de homenagem. Enfim, a saudade revigora, alivia, suplica, revive e as vezes pode até matar.

Mas é sempre bom ter a saudade sinestésica, daquelas que sentimos quando estamos repensando o amor em nossas vidas. Ela começa com a lembrança fotográfica do momento, alterna-se na lembrança doce do beijo, depois dá lugar ao encontro carnal com o toque – quase palpável. E então, a sensações se revezam no constante repensar daquele momento. Esta é a mais forte porque pode reviver em quase realização física o momento mágico do contato.

2 Comentários

  1. heddy dayan disse:

    A saudade cheira uma boa Madeleine Proustiana . Lindo esse artigo.

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