JOGOS MORTAIS VII (SAW VII)

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JOGOS MORTAIS VII (SAW VII)

Além das cenas fortes, uma constatação fica clara e igualmente angustiante no filme JOGOS MORTAIS IV: a autotutela do cidadão. A limpeza ética em relação a sociopatia instalada e promovida pelo Dr. Jigsaw dentro do seio social. O emprego do mal para purgar o mal é a premissa fundamentadora dos jogos promovidos pelo autointitulado limpador social.

O debate é pertinente e talvez atual, vez que governos paralelos, mormente em grandes capitais- e não apenas no âmbito local- promovem com maior freqüência o instituto mencionado. As práticas de autotutela e autocomposição são práticas expurgadas do meio jurídico hodierno. A promoção dessas práticas remonta ao completo desamparo ou mesmo ineficiência do Estado em relação aos problemas sociais. E nesse sentido é que o paralelismo entre o gênio maligno do Jigsaw e esse Estado medievo é verdadeiramente aplicável.

 Assistindo ao filme ao longo das  incursões narrativas deste personagem emblemático , personificado naquele boneco/marionete movido pelo triciclo mortal, observei atentamente o objetivo escondido nas entrelinhas das armadilhas perpetradas pelo mestre das punições purificadoras. O intuito é promover ao merecedor, tanto da armadilha quanto da sobrevivência, um chamamento, um alerta aos homens sociais que, de alguma forma, promovem, estimulam, realizam alguma ação, premeditada ou eventual, que vá de encontro aos princípios morais mais importantes estabelecidos na cartilha pessoal do sociopata-mor. Essas ações também podem ser omissivas, o que também não passam despercebidas por esse implacável justiceiro ético.

As práticas quase medievais, não fossem os meios eletrônicos e intervenções midiáticas, ainda assim promovem um estado de angustiante de revolta intestina. São cenas fortes para as quais tive que usar as mãos para barrar a visão das execuções quase inescapáveis.

Fica o alerta para essa limpeza ética promovida pelos autointitulados senhores da razão. A autocomposição e a autotutela podem estar disfarçadas- e reforçadas- na promoção diária de nossa indiferença em relação às matanças, chacinas e pequenos crimes a que fazemos vistas grossas. Não raro concordamos tacitamente com essa limpeza feita com as próprias mãos isentando o Estado de sua função maior que é a defesa e promoção dos direitos sociais. Se continuarmos a aceitar tacitamente as milícias autoinstituídas sem o reconhecimento do poder jurisdicional do Estado Democrático de Direito, estaremos sendo convenientes com estas práticas e assegurando a esses falsos operadores do direito o poder que antes era legitimado pelo primado legalizado do Povo.

2 Comentários

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Roberto Dias, Roberto Dias. Roberto Dias said: JOGOS MORTAIS VII (SAW VII): http://wp.me/pnupu-lX […]

  2. Kiko Riaze disse:

    Perfeita interpretação da emblemática de Jig Saw, amigo. O poder paralelo, organizado ou individual (ocasional), ao mesmo tempo em que é uma afronta ao poder do Estado, é um alívio justamente por que as autoridades não precisam se indispor ou manchar suas mãos… Jig Saw , com suas práticas controversas, é o juiz de um mundo assolado pela violência, pela ganância e destruição. Ele institui a si próprio um poder divino, que nada mais é do que puramente humano. Estou louco p ver este filme!
    Bjundas!

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