Pai é quem cria!
06/12/2010
Uma estória de um escritor num lugar que não existe livro ( mais uma estória começada e não finalizada)
08/12/2010

Qual seu pecado?

Meu pecado deve ter um nome, este de ficar de joelhos sempre a altura da melhor parte dos homens, olhando-os por baixo e sentindo-os mais frágeis e mais vigorosos ao mesmo tempo. Eu não tinha noção de pecado, apenas sentia a vontade de sempre estar aos os joelhos de um homem desejoso de sexo. Lembro-me das tenras idades em que eu entrava no banheiro masculino, sempre tateando os homens pelas suas cinturas. Havia uma ducha escondida no final do clube. Lá os homens sempre entravam nus, e eles sempre aguardavam meus préstimos libidinosos.

Meu pecado era querer mais e mais. E tudo começou como pequenos joguinhos sexuais. Quando brincava de casinha havia sempre espaços para essas tentativas de iniciação. Eu, não sabia como, talvez conquistados por uma habilidade nata de convencê-los, atraía os meninos para a casinha que fazia, no fundo do quintal de minha casa, com as caixas de papelão. E quando dava por mim, já estava lá na brincadeira que imitava um papai-e-mamãe insólito, que depois aprendi chamar de fornicação, e, mais tarde, poderia chamar de um pecado de luxúria orientada. E a princípio era um segredo que sempre guardava pra mim e, claro, para todos os outros que entravam na casinha de papelão. Enquanto fornicação, nem mesmo eu sabia como estragar alguma coisa. Eram apenas aqueles pequenos crimes: felação, pegação, amassos, os bolos-fritos…nada mais complexo. Essa noção de algo mais invasivo- ou mais prazeroso- ainda não tinha me atingido. Mas eu continuava em meus joguinhos perversos de sedução.

Um dia a casa de papelão caiu. Passei para a quitandinha, onde sempre dava ou vendia fiado minhas carícias mais elaboradas. Depois veio a brincadeira do médico na qual começaram a aparecer os donos de corações partidos. E foi assim nessas brincadeiras mais pueris que aperfeiçoei minhas pequenas traquinagens luxuriosas. Infelizmente as casinhas de papelão, a quitandinha, os médicos sumiram; a partir de então eu começara a seguir outros instintos mais claros. Adorava os terrenos baldios, a sombra, o beco, e especialmente os edifícios ou as casas em construção- e seus insólitos visitantes. Assim começaram as primeiras descobertas mais espessas, consistentes, como a viscosidade das sementes dos homens. Como era bom sentir aquelas sensações de calor interno, pulsação. Inicialmente, as vontades eram apenas um desenrolar de mecanismos naturais como necessidades fisiológicas.  Depois entendi como o mecanismo dos meninos funcionava, e como eu podia utilizar minhas ferramentas. Além da mão, da boca, havia outras partes que nem Freud descobrira. Na fase anal, por exemplo- onde talvez eu tivesse mais problema ou aceitação-, eu descobri que podia ser mais útil do que apenas dizer sim ou não. E o primeiro contato, o mais complexo, foi no mundo pós-adolescência. Foi um pedido simples- como de praxe- para que eu ajoelhasse e contemplasse a eloqüência do membro de um homem adulto.  Do bate-papo veio a gravação, o aumento do volume e a grande explosão quente e aquosa. Minha iniciação estava selada. Então, depois desse episódio, ficar sobre os joelhos era mais que uma posição de súplica.

E sempre dizia sim, numa obediência quase cega aos preceitos da teoria de um amigo mais experiente. Continuei sempre dizendo sim. E parece que tudo se iniciou claramente lá na quitandinha. Os inúmeros clientes se acotovelavam na porta da grande quitanda. Clientes cheios de iniciativa. Olhares insinuosos, tendenciosos a uma postura sempre ativa:

– Me vê uma bundinha ai?

– Sim, sim , sim, sim.

3 Comentários

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Roberto Dias, Roberto Dias. Roberto Dias said: Acesse meu BLOG Qual seu pecado?: Meu pecado deve ter um nome, este de ficar de joelhos sempre a altura da melho… http://bit.ly/h8Wr6L […]

  2. Luciano Cilindro de Souza disse:

    Adorei! Vc sublima como ninguém a arte de fazer sexo com homens em suas descrições poéticas. Tão poéticas são, que atiçam uma tesão estranha: de fazer amor com sua mente continuando a leitura. Nossa, é tão bom fazer amor assim contigo!
    Vc é meu escritor preferido do clube dos autores. Sou seu fanzoco.
    Beijos!

    • Querido Luciano,

      O que mais me alegra é ter você como leitor assíduo e entusiasta de minha escrita. Obrigado pelo título.
      Estou ansioso para ver sua resenha do livro.
      Fazer amor mentalmente com uma pessoa por meio de suas ideias deve ser um prazer inefável.
      Obrigado,

      Roberto Dias

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