A música que foi feita pra mim

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A música que foi feita pra mim

Eu ouço a música que foi feita para mim. Está em outra língua. Causa-me confusão; procuro entender as palavras que não sinto o significado. Então aprecio-a de outra forma, sentindo a melodia em minha homenagem. Sim, eu tenho uma música feita para mim.

No entanto, quando procuro o autor, que está longe, a distância se parece com a delicadeza da tradução: está na sutileza de uma palavra não entendida. Fico nessa procura pela concretude das palavras e, estranhamente, encontro no registro fotográfico as possíveis interpretações para a música idílica. Começo a entender pelas imagens vivas as palavras lacunosas. Entendo, imagino, internalizo a intenção da música. Sofro, choro, esmaeço com esse entendimento solitário.

Repito várias vezes até a exaustão; até que o sentimento se afogue na inundação de entendimentos. São múltiplos, discordantes, congruentes. Deixo a música entrar e penso que não é justo sofrer por amor;  refrear o sentimento de querer bem. Penso nas escolhas que fazemos, e a distância que sempre atrapalha o entendimento das coisas. Ficamos cativos dessas instâncias autossuficientes.

Para o autor a música conforta a dor, numa transposição de sensações tácteis para as intangíveis. Enquanto isso, do outro lado de um grande abismo existencial, fica a dor e a lembranças inalcançáveis. Fico eu nessa tentativa de entender como o amor pode nos unir agora. Não há solução para essa dimensão das coisas sentidas.

Repito pela última vez com o coração menos aflito, refugiado naquele plano físico da imaginação chamado resignação. Experimento a falta de tudo- inclusive do total entendimento da canção- e me acomodo na interpretação ilusória do vazio preenchido. Invento um sonho e materializo a intensidade do toque, o perfume da pele e a existência mágica.

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