NOVO LIVRO
12/01/2011
A Espera ( Esperança?)
27/01/2011

Genre: Drama, Horror
Official Site: http://www.biutiful-themovie.com
Director: Alejandro Gonzalez Inarritu
Run Time: 148 minutes

 

Até agora, estou ainda sem saber qual emoção o filme Biutiful provocou em mim. Embora seja um drama em pequenos subconjuntos de dramas menores, o filme tem um toque de critica social e misticismo. É, acho que essa é a mistura de sensações que agora estão sendo processadas em minha cabeça.

O filme começa com um silêncio incomodante, logo interrompido pela conversa, em sussurros, entre Uxbal e sua filha, detendo-se na beleza de um anel que era da avó da menina. Depois, já no final do filme, utilizando o recurso In media res, trazendo de volta esta cena inicial, pelo menos os diálogos, numa outra perspectiva. O que também me causou certa confusão na interpretação da leitura do filme. Mas vou deixar aqui minhas impressões sem recorrer as leituras e críticas já feitas.

O filme se passa no tempo presente- apesar das incursões, talvez em pensamento, de Uxbal no futuro- em Barcelona. A cidade está tomando pelos Africanos que detém o mercado de produtos falsificados, vendendo-os nas ruas da cidade, e que são fabricados por outra “gangue”, a dos chineses, revelando a invasão de estrangeiros da atual Europa em crise. A realidade se confunde com muitas outras realidades num subúrbio de uma grande cidade. Este é o pano de fundo da estória de Biutiful que retrata a beleza que existe num amor de um pai aos seus filhos. Javier Bardem interpreta Uxbal um pai dedicado, mas atormentado com os negócios que está envolvido, a ex-mulher maníaco-depressiva e seus filhos. Acresce-se a isso, a mediunidade disfarçada de charlatanismo, e esta manifestação o atormenta-o por várias vezes, como real faculdade sobrenatural, durante o filme- parte de minha confusão é devida a este fato – e da qual ele consegue alguns trocados.

O núcleo do filme é divido em pequenos dramas, como foi dito acima. Tem o drama da imigrante africana que tem o marido assassinado numa perseguição da polícia; o do chinês homossexual “dono” dos chineses que trabalhavam na fábrica de bolsas falsificadas; as crianças que sofrem com a separação dos pais e a mãe bipolar e, a bem entrelaçada, construção das histórias que se relacionam.

Beautiful causa uma leve angústia, pois não tem uma dinâmica de ações. Muita dessas ações se dá no plano das emoções, nas tomadas poéticas de algumas cenas, na introspecção das imagens fortes, principalmente nas cenas em que ele começa seu martírio ao descobrir o câncer na próstata. As cenas de seu sofrimento são bastante densas e comoventes.

O filme é um pouco longo, mas compensador pelo final surpreendente- Bardem está muito bem no filme- no qual as borboletas somem, a africana decide ficar e Uxbal decide ir embora. O recurso do retorno a imagem inicial se desvela de uma forma inesperada. A última conversa me leva a crer que Uxbal era uma espécie de vampiro imortal que se preservara com seu rabo de cavalo por anos. Ao final, pôde realizar o sonho do carinhoso filho Mateo, levando-o para ver a neve nos Pirineus. Pirineus is biutiful!

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