O espaço das ideias

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O espaço das ideias

O espaço me aperta.

Meus quadros, meus livros, a mesa, o corredor, o chão estão em abraçando. Mas é um abraço apertado que me sufoca até que me sinta tal qual um móvel dessa sala. Ficamos estáticos nesse abraço. As ideias vêm como disparos de tiros a esmo, como se todos fossem possíveis criminosos. E como se meu anteparo para a bala fosse uma parte de mim- esse pedaço de ideia solto do ar. Então eu era o criminoso e o algoz. Eu escrevia e apagava minhas próprias palavras como se pudesse fazer e eliminar o crime tudo ao mesmo tempo. O que era a ideia pra mim, senão uma vontade de descrever um sentimento? Mas eu me enchia de vontades mudas que não podiam ser vertidas em ideias. Ficava parado pensando na próxima sensação ou no próximo crime. Que ideia matar? E isso me causava angústia porque me obrigaram a apagar um parágrafo inteiro, como se não pudesse entender a ideia de forma enxuta? Tinha que ser assim, daquele jeito. Qual a palavra que não podia existir? Era igual ao abraço, obrigando-me a aceitá-lo sem saber se me caberia naquela sala. O pensamento poderia invadir o espaço todo, enchendo de ideias mortais ou mortíferas. E quanto a mim, como poderia safar de meus sentimentos? Estou lá parado e nem parece que estou em movimento cerebral, nem parece que os sentimentos se ricocheteiam e que a ideias podem me matar. Eu posso me matar; eu posso apagar as palavras; eu posso virar a página.

O quadro tem figuras incompreensíveis e as pinceladas parecem falar algo. A mesa parece segurar todo o peso de minhas ideias. O corredor se encurta e apenas me caibo ali. O chão acorda e abre sua boca por onde entro e escorrego até um fim. Pedem para eu apagar as linhas, mas eu não consigo imaginar isto tudo sem movimento. O quadro, a mesa, o corredor e o chão precisam me devorar. Eu preciso que eles se movimentem e deem vida a minha história.

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