Diálogos sobre o querer

Continuação desnecessária
11/04/2011
Mais um dia
19/04/2011

Diálogos sobre o querer

– Quer dizer que vamos viver a eternidade de um momento contado?

– Sim, não devemos mergulhar sem ao menos sentir o gosto da água? Como se gozássemos pouco e sofrêssemos pouco? Carpe diem!

– Sim, eu devo estar errado porque me deixo levar pelos extremos!

– Não sei o que dizer, apenas que pode ser imaturidade. Mas não somos um tanto quanto livres para não viver nessas amarras. O que é certo? O que é errado?

– Tem razão. Eu é que morro por conta das convenções. Lutei contra elas e agora estou a mercê delas.

– Você é especial!

– Acho que todos nós somos. À medida que amamos nos tornamos mais especiais. E quando acontece isso, uma inquietação aumenta.

– Estou aqui. Não precisamos pensar na despedida.

– Quando vamos nos ver novamente?

– Estou aqui. Aproveita! Não sei o que nos espera amanhã. Talvez seja algo melhor do que hoje. Um amor maior; uma saudade maior.

– Assim não sei viver. Vamos voltar para o mesmo ponto.

– Você deve rir mais, perdoar rápido. A vida é curta. Quebre as regras, beije suave…ame de verdade.

– Eu sempre soube o que é amar. Mas o amor que me prometes é ligeiro, volátil, sem intenções de durabilidade. Não sei o que dizer.

-Mas quem disse o que sei do que tem que ser dito. Nada sei disso meu amor. Só sei deste agora. Eu gosto é de você. Certeza maior não tenho agora, senão a inexorável.

– Você diz que gosta. Mas como é esse gostar multifacetado, no qual os seus olhos se enchem de amor por tudo? Eu não vejo o óbvio.

– Mas o que é óbvio meu amor?

– Nossa conversa é óbvia, enquanto o que deveríamos, segundo você, era viver a vida, não é?

– Vem cá me dá um beijo!

– Isto é óbvio: beijarmos.

– Sim, tudo parece um pouco claro. Mas parece que não existem regras para isso. Agora, nesse momento, meu beijo pedido é mais do que gostar. E isso evolui!

– Então poderemos encarar o amor mesmo? Digo…ficar juntos, acordar juntos, fazer coisas que até então não pensávamos fazer? É isso?

– Eu só sei do agora que esse querer bem, que não me autorizar a estatizar nada, a pensar lá na frente. Apenas sinto que você é especial e se eu pudesse pensar em futuro eu pensaria em você.

– Devo ficar feliz eu acho com tanta manifestação de carinho. É tão cedo para se pensar em amor como se fosse uma coisa grande, imutável, que perpetuaria esse momento meu de descoberta.

– Mas o que havia antes que você não soubesse?

– Disso de amar agora! Essa coisa que tem forma, mas não se agiganta porque temos medo.

– Você… tem medo!

– Você não tem?

– Eu não sei dizer por onde começar, pelo sim ou pelo não!

– Comece pelo não, então!

– Eu não tenho medo de perder isto agora, porque amanha invadimos o campo da incerteza, da vida, da morte, da sofreguidão dos sentimentos e da parada do ritmo ideal. E sim , tenho medo de perder tudo o que não vivi. Não isto agora, mas o beijo que você não me der amanhã. Entendeu?

– Então, no fundo no fundo você tem medo!

– Entenda meu amor. Vivamos o agora! Sem esse falso determinismo das coisas. O nosso amor é agora!

– E se eu guardasse para amanhã todas essas coisas, existiria amor amanhã?

– Se você o guarda hoje é porque tem medo de que o amor cresça agora. O sentimento de perda amanhã é mais doloroso. Por isso quero você agora.

– É, talvez eu tenha que ver o amor como algo ainda novo, como se eu cuidasse agora sempre sabendo que poderia vê-lo crescer, mas que crescendo se torna independente, e sendo assim qualquer dia pode me abandonar. É isso?

– Se você quer ver assim! Só posso falar do que sinto agora ( ele segura o outro pelo braço e encara-o como se fosse mergulhar nele) e o que sinto agora tem a ver com te amar ( e sussura no ouvido do outro: eu te amo) e amanhã tenho a possibilidade de ter muito mais.

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