Não quero mais falar sobre amor

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Não quero mais falar sobre amor

Não queria falar de amor. Toda vez que falo de amor, perguntam-me se invento ou se experimento esse sentimento. Se invento ou se caio de cabeça, é relativo. O que importa é a emoção mesmo que forjada ou vivenciada.

Mas o que me pergunto nesse facear de sentimentos,  é se devo desistir de um projeto iniciado ou se desisto daquilo que nem tentei. Essas coisas que parecem se polarizar, mas parecem estatizar uma natureza dúbia, como se todo projeto em si fosse um protótipo de um nada pronto. Complexo, não é? Mas é como me sinto nesse momento.

Desistir de um projeto pressupõe um esboço, uma tentativa em direção a algo. Mas recordo de minhas leituras internas de que existe essa questão do impossível, mesmo diante de um projeto – isso se chama projeção. Por muito tempo imaginei e senti que isso poderia ser apenas uma vontade vã, viver de sonhos e por que não de interpretações projetivas de uma fábula que me aprouvesse. Mas até agora, mantive – você deve se estar perguntando-  essa natureza irrealizável! Que texto mais prolixo! Eu vou tentar amenizar.

Se eu desistir de algo que começou agora, como parar de pintar um quadro ainda sem forma definitiva, estaria eu desistindo ou apenas protelando? Se, como poeta, inventasse um poema de amor, e por algum motivo o impulso anterior se transformasse em perda, poderia continuar, e parar seria uma desistência?Onde reside mesmo essa coisa do desistir se ainda se tem o tempo para a conclusão futura? Mas aí entra outra questão, essa parada contingencial, esse vagar na coisa ainda não contemplada em sua dimensão maior, depende do outro? Do tempo? Da distancia?

Parece que se parar pode demonstrar fraqueza, impaciência, falta de trato, intempestividade. Tudo parece meio depreciativo nessa parada. Mas seria altivez esse momento? Assim arquitetar-se-ia uma reflexão em cima do todo, do projeto, da persecução, do sonho, do gozo, da urgência, do tempo que não é o de ontem, enfim… do medo?

Tem a ver com medo do irrealizável? Será que tem a ver com o impreciso gosto do não-completo, do falso fastio, da precária abundância, de uma eterna sensação de descontinuidade? Seria por essas razões que tenho medo de continuar o que não sei se termina ou começa em si mesmo, como um grande amor com prazo determinado – e eu não queria falar de amor, mas parece que o assunto de materializou num exemplo concreto. Seria?

O amor pode ser um projeto incompleto, inacabado, protelável?

Pois se eu ainda não sabia do que falar, acabei imaginado algo que poderia ser alvo desses meus pensamentos. E agora me pego pensando nos projetos, planos e projeções que faço do amor, do meu amor, de nós.

1 Comentário

  1. Dan Porto disse:

    Isso tudo é tempo senhor. Pare. Retome. Desista. O compromisso é com você!

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