Render-se ao novo. Render-se ao novo?

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Render-se ao novo. Render-se ao novo?

Tenho uma alma meio instável, mas isso não quer dizer que eu mude substancialmente. O tato muda, pode ser. Uma coisa mais biológica do determinismo anatômico. Eu tinha uma estória – ou história- construída sobre o símbolo dos meus antepassados e de uma consciência que não era minha. Nunca foi. Foi empréstimo barato.

Sinto uma vontade de mudar, mas não porque queira a mudança. Talvez seja porque é mais fácil aceitar a criatividade divina. É mais fácil cair e deixar-se levar pela correnteza que tem um sentido unívoco. Mas aí tem as possibilidades de interpretação desvirtuante; nem feliz, nem triste. Apenas uma necessidade inconscientemente inequívoca. Mas tem o toque natural; o toque predestinado. E qual rumo tomar?

Essa claudicação vem por conta de minha decepção de agora; da falta do toque certo. Mas o que seria certo se o toque quando se a permissão é única? Tem de existir somente um? E quando a natureza não fala mais alto, mas fala algo diferente do que você se acostumou por uma verdade sua e absoluta, e este algo é potencialmente bom? O toque tem sexo?

Ontem me senti personagem de uma estória de filme que pode ser real. As almas podem mudar de gênero e eventualmente mudar sua sexualidade? E esse toque deixa de existir- e ser bom- apenas porque a idéia de felicidade é nova? Com certeza o desejo pode ser genuíno e independe dos maquinários dos usuários.

Seria uma mudança pesada esse de mudar todo um conjunto de convicções? O desejo é verdadeiro se contraria uma contingência quê dá amostras de uma nova esperança? Esperança? Ou seria apenas um momento de decepção passageira, daquelas que se avizinham como chuva passageira?

Ontem senti esse frio de mudança na barriga, na ponta da espinha, no cérebro estabilizado sobre a fixação de que se era feliz. Agora o toque diferente vem dizer que a possibilidade mais aceitável é permitida. Eu quero enredar este sonho de instabilidade? Ou viver a procura de um toque certo?O que seria certo? Mesmo assim, a carência é uma necessidade que deve ser satisfeita de imediato. Seria a iminência e urgência do toque uma causa desta mudança da alma? Pode minha alma mudar?

Será que poderia mudar tudo de uma vez, só por uns instantes, até que a vontade pudesse ser esgotada? Posso sentir o cheiro, a pele, o roçar de forma como nunca antes e mesmo assim ser o mesmo? Posso tocar meu corpo na lembrança da outra pessoa? Seria isso apenas por um tempo? E minha real necessidade, construída sobre a luta de muitos e de minhas vontades intrínsecas?

Sou assim ou posso tentar uma investida no meu não-natural-assumido? Seria uma loucura voltar à origem, a natureza divina? Ou é tudo apenas um sonho como um filme imaginário de rolagem curta? Seria uma traição comigo mesmo? E o dia seguinte?

Teria eu a mesma alma no dia seguinte?

1 Comentário

  1. Muso disse:

    Esse texto me deixou excitado como a muito tempo eu n sentia tamanha excitação.Roberto com sua habilidade deixou minha alma em ebuliçao apenas com palavras.Palavras que demostram nao apenas um escritor talentoso mas uma alma sensivel e com uma visao de mundo para dividir com o mundo o jeito fascinante de ser.Ao descrever seus anseios e questionamentos sobre a verdade absoluta levando o que poderia ser um simples toque ao apice de uma jornada ate as portas da sua natureza divina. Todo esse texto mostra sua grandiosidade e essencia de guerreiro que nao se abala e se fortifica ao conhecer suas impefeiçoes e principalmente sua constante mutação.Eu mal posso esperar para ele fazer uma jornada a sua natureza divina e revelar a nos leitores o quanto ela é especial.

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