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Por que levar a vida tão a sério?

 Não se levar a sério

Sempre fui muito certinho, não porque quisesse – nem sempre queremos ser certos–, mas porque era uma invenção de vida, um arremedo de meu pai talvez. Era uma alternativa ao que poderia ter sido normal, e eu preferi enxergar tudo muito seriamente.

Poderia ter brincado mais, trepado em pés-de-pau mais (poxa, mais do que fiz,seria impossível), mas poderia ter subido mais alto. Porém, eu não tinha compreensão mais profunda da vida e nem que se vivesse mais ludicamente, sem tentar ser um pequeno adulto antes do tempo, conhecendo a verdade por uma práxis sofrida, entre dores físicas e na alma, talvez eu teria sido mais feliz. Pelo menos naquele período.

Conheci a traição desde cedo e com ela a mentira. Meu super-heroi era o inimigo da verdade. Meu super-pai tinha amantes, tinha vícios. E eu tinha que entender que tudo que os adultos faziam era certo. Mas eu inventei minha verdade e atribuí à minha mãe o posto de detentora de minha atenção e respeito. Não precisei me separa para me parir. Fiz tudo com o auspício dela.

Mas o bom disso tudo: de enfrentar as verdades, é que eu subsisti ao tempo, transformando-me num adulto meio assintomático para muitas dores. Elas, no entanto, não causam tantos problemas, afinal quando deveria ser doce eu fui duro, e quando devo (ria) ser rude estou sendo doce comigo. Sem cobranças, agora que virei homem, porque existem diferenças entre o menino, o jovem e o homem – sexualidade é outra coisa. Embora esses estado em mim não se separaram definitivamente. Até então conduzia minha vida como se fosse um menino ainda reparando as coisas com aquele olhar desiludido (e os que são da exegese pseudo-psicanalista de plantão que se fod..). A questão é de viver a vida. E agora é se devo ainda ser o menino ou o homem o que me importa. Ser um menino hoje em dia é bem mais perigoso.

Ainda bem que estudei outra língua por vontade própria; aprendi uma arte pela propensão natural de enxergar tudo diferente. Eu comecei pequeno a desenhar o mundo. Eu não sabia de profissão. Só sabia que Jesus era esquálido e que estudar levaria a um lugar (seria este?). E como eu disse, não sabia da verdade, senão a minha que inventei. E até então, eu vivi essa verdade. E parece mentira dizer que ainda sou tão ingênuo, não é? Mas não quero ser detentor da verdade mesmo que seja a minha. Estou apenas dizendo que quando poderia ser doce, fui rude e quando deveria ser doce, estou sendo o mais duro comigo mesmo. Não parece ser um bom caminho para a vida, parece?

Hoje o posto de escritor me salva de minha invenção e a do mundo aqui fora. Muitos dizem como devo ser, porém quando olham para suas vidas constituídas querem um pouco da minha indefinida. Eles se ressentem de um passado e de um presente. E não estou nem feliz, nem triste por isso, porque eu deveria estar num outro patamar, talvez o mesmo daqueles dos quais falei. No entanto, eu acho que nem eu nem eles deveríamos mais nos preocupar com o quanto a sombra é grande, mas se ainda o sol vai brilhar para todos nós e como podemos nos prover dele.

Embora a filosofia niilista seja boa de saborear enquanto não se faz nada e não se cobra nada, o mundo ainda exige uma tese, um partido, uma causa. Somos sempre cobrados por nosso pensamento, mesmo que não verta em palavras ou sons. Deixo a vida me levar? Correr atrás da realidade ou viver os sonhos?Já me fiz essas perguntas várias vezes.

Ouço a música de agora como prenúncio de respostas: é o fim do mundo, ou apenas uma nova profecia mentirosa? Deixar a barba crescer ou me assear para a vida? Continuo a pular amarelinha ou jogar  os dados…ou cartas sobre a mesa? Vai ser o destino ou moinho da vida?

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