O que se ganha com o beijo gay na televisão brasileira?

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O que se ganha com o beijo gay na televisão brasileira?

 Parece-me que a televisão americana- pelo menos a televisão fechada – já não sofre dessa antecipação, ora negativa, ora instável, sobre o “acontecimento” do beijo gay. Várias cenas de beijos gays já saíram nos EUA e por não ser um país (entenda-se um Estado fundamentado numa Constituição, mesmo que não seja escrita) potencialmente católico ou religioso, onde encontramos segmentos sociais ou Instituições religiosas que preservam uma “invenção de manutenção dos reais valores da família”; mas nem tanto eficientes, ou hipócritas, quanto às congêneres aqui em terra tupiniquim.V

Vamos lá: Grey’s Anatomy, Gossip Girl, True Blood, The OC, Modern Family, The L World,Brothers and Sisters, gly Bety, House, em todas essas séries já forma veiculados beijos gays entre casais gays masculinos e femininos. Estas manifestações de afeto, demonstradas pelas peculiaridades de seus enredos e protagonistas, revelam como natural e possível é o acontecimento do beijo gay. É plausível. É uma realidade íntima, mas às vezes, não se pode evitar a troca de carinho; não se pode narrar uma história de amor sem falar no contato íntimo mais sublime. E a manifestação do carinho, do amor, do afeto não tem sexo.

Embora não tenha o poder da televisão brasileira, a teledramaturgia americana, menos despreocupada com a perda de “certos valores morais”, resiste muito bem às críticas contrárias- que são naturais também, mas não devem ser de interdição.

Aqui, a antecipação militante precisa mitigar os argumentos já preparados, fundamentados num preconceito arraigado, anacrônico e inútil. Podemos falar agora que, em tempos de APROVAÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL ENTRE GAYS, este tipo de interdito não funciona mais. A questão da sexualidade, ou como ela é usada, já não é mais questão de exclusão ou de perseguição sob uma égide ultrapassada de limitação da igualdade de direitos. O entendimento e a compreensão da “nova” instituição familiar promovem uma melhor aceitação – essa palavra não me agrada, melhor estatizar: respeito – em relação aos cidadãos que antes se sentiam excluídos e estavam excluídos. O beijo gay televisionado parece ser apenas, agora, mais um passo natural, entre outros direitos, como a adoção.

Tão plausível parece ser que o SBT antecipa o beijo sem a falsa promessa, a falácia dos diretores e escritores de novelas da Globo. Hoje, dia 11/05/2011, o SB vai veicular o primeiro efetivo beijo gay. E o que importa se não é entre homens – porque inexplicavelmente parece mais “agressivo”, também não gosto da palavra, e não tenho sinônimo para eufemizá-la –, se o que mais importa é desconstrução de uma “imagem de falsa moralidade” existente sobre o primado de uma parte da sociedade que apoia o controle de alguns “princípios de qualidade.”

Pois bem, o SBT entra na vanguarda, mas não é uma antecipação mágica ou verdadeiramente simbólica, subsiste uma necessidade de garantir uma espécie de concorrência. Mas perguntem a mim se me importo com esse “embate” de Ibopes. Não me junto às fileiras dos que se acotovelam sobre a plasticidade, o romanticismo, a originalidade para o caso; e me perfilo com aqueles que se importam com a oportunidade alvissareira – também não me importo se ela vem no mesmo bote salvador da decisão do STF –, com a possibilidade da existência harmônica e pacífica, sem falso moralismo.

 Nem vou falar das promessas da Globo. O que interessa é o fato, e o fato vai ser veiculado para todo o Brasil, hoje, em o AMOR E REVOLUÇÃO, dirigida por Reynaldo Boury, as 22h15, no SBT, o tão esperado beijo gay.

E respondendo a minha própria questão, numa tentativa de compreensão e satisfação pessoais, encontro uma resposta clara, simples, mas não menos elucidativa. Ganhamos com o beijo gay? Sim, claro. A visibilidade traz à tona o debate, o apoio e a dissensão. Ela promove a discussão sobre o tema como uma realidade, como um comportamento a ser trabalhado e internalizado na sociedade da forma menos intransigente possível. Não é uma imposição, mas uma mudança no discurso majoritário. Respeito e aceitação são fundamentos simplórios. Mudanças, dinamicidade das relações sociais, a urgência das minorias, o protagonismo social, enfim estes elementos é que deve compor essa nova ordem social. Sem militância cega nem grandes paradas-gays vazias de sentido, mas voz e vez.

1 Comentário

  1. tiagosoraggi disse:

    mas voz e vez, mais voz e mais vezes!!

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