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Sexo

Revira dentro de mim, à noite, a ideia de uma sexta-feira (ou outro dia da semana). Ela revolve como se tivesse vida numa antecipação conhecida do que se pode fazer- porém sem autocontrole. Tem a ver com a autoestima, se está alta, as coisas se aplainam internamente; mas se baixa, as coisas se alteiam como poeira excitada na contra-luz. O que é este revolver de uma insatisfação não classificável, mas que possivelmente vislumbramos como falta?

O formigão que pinica a vontade até que ela seja sentida como real. Uma verdadeira sensação de prazer faltante; um vício logo vivido após um outro, um estopim para tudo se dar conjuntamente. Pode ser uma ânsia de completude, de penetração propriamente dita. O preenchimento que não é da alma. Alma é outra coisa!

Tampouco é uma ideia nova, sensação diferente; está mais para insatisfação com a alma mansa. Alma aqui é o cerne racional. Por isso que esse revolver deve ser algo de superficial, algo na pele; ou opera pela química dentro de nós – dentro dos nós que afrouxamos quando deveríamos apertá-los.

Posso falar sem necessitar do disfarce inicial. A ideia entra como deveria ser o instrumento que opera a dor-prazer. Um intenso desejo de perdão e culpa, de entradas e saídas, de saliva e de merda. É isso sobre o que tudo deveria falar acerca da ideia que revolve por dentro? Pode ser isso e pode ser loucura, separadas ou juntas, na cama ou na mesa, na presença ou na exigência. Sim, talvez seja na exigência que essa falta se contempla, se realiza. – Eu quero agora!

Sexo pode ser somente uma ideia que revolve, como se pudesse entrar e sair e resumir, definitivamente, a essencialidade do mundo que me cerca. No sexo tudo inicia e tudo se finaliza, sem fim em si, mas num gozo memorável. Tá tudo lá dentro dele. Quando em volta, penetramos como esperma ou saímos como um desprezo coletável. Mas tá lá no ato final. Em cima, por baixo, no seu princípio onanístico ou dividido, ou simplesmente na verdade finalística de morte ou de vida.

2 Comentários

  1. Tiago Soraggi disse:

    … simplesmente unico! acho que acabei de ter uma transa literaria com Freud!? que louco isso! eu sinto o sexo da mesma forma! poucos sentem, so praticam!

  2. Gisele Baiense disse:

    Puro êxtase… Misto de loucura e paixão!!! Sabe, meu amigo, sinto a irracionalidade do sexo da forma mais racional e explosiva possível. Díade de sentimentos: poético e ao mesmo tempo cético.São momentos indizíveis, os quais você soube, com mestria, conduzir à escrita. Mais do que uma prática… uma catarse da alma!!! ADOREI!!!

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