Pensamentos de um domingo ( acho que parte II)

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Pensamentos de um domingo ( acho que parte II)

Este domingo frio bem que poderia ter sido menos óbvio comigo. Mas não, insistiu em ser rude e silencioso, não fosse os barulhos dos carros anônimos lá fora. Sei que tá tudo certo porque ouço a vida que os propulsiona. Em mim é que não tá certo, porque estou contestando a vida, meu próprio mecanismo interno de  propulsão. Parece falho diante do que procuro ser um sentido para esse, como posso dizer, essa, falta de barulho interno.

Fosse hoje uma segunda-feira de sol, não teria me tomado de súbito por este pensamento ligeiro e pesado de agora. E mesmo que seja temporário ele pesa como se não pudesse me levantar por completo. Fico mesmo é prostrado diante das coisas paradas no quarto, mas que têm sentido. Apenas em mim, na iminência de um movimento, estaciono, vejo-me sem ânimo. Paro. Não me sinto tão necessário quanto tantas coisas silenciosas que tenho paradas em meu quarto. É um domingo frio este. Entendem agora. Ele petrifica meu pensamento na idéia fixa do ser imprestável. É ligeiro, como disse; mas é pesado.

Parece até que foi a frieza dele. Me deixa sozinho sabendo do silêncio das coisas quando ele – toda vez – fica frio. Ele deixou de ser mais um dia, para ser o dia; mesmo que lembrado nessa agonia de agora. Repito: ligeira, mas pesada. Mais pesado daquilo de mais danoso que imaginaria que uma coisa – ou alguém– física pudesse me causar. E aqui estou, não sei se é doença, mas me cansa, me atormenta, atrasa o sono, dispara o medo dentro de mim.

Menti de que não havia movimento em mim. Mas tem. O medo fica circulando, para no coração, desmantela-se em pequenos medos e espalha pelos outros órgãos. Mas ele se dá melhor no cérebro. Lá ele se refestela ao ponto de induzir todos os outros pequenos medos a se juntarem a ele. Quando não, lá estão todos a dar um certo movimento interno no meu corpo. Contraditório esse medo, esse frio; não é?

O que posso fazer? É ligeiro esse pensamento, mas é pesado como disse. E graças a Deus – como querem alguns que eu finalize com palavras de esperança e felicidade – amanhã, é apenas uma segunda-feira!

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