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Tudo de novo

 

 

Parece que passa. Vira memória. É uma passagem essa vinda. Ele veio de longe. Pouco tempo de permanência. Logo invade o meu peito de amor. Como pode me enganar? Mas o discurso era do hoje. O agora para ele era o pouco sempre. Uma vontade de tudo ter. Ou o peito estéril ou o peito de leite. Era tudo possível. Uma camisinha no bolso. Um desejo para todos. O que viesse podia ser felicidade. Um gozo, dois gozos: a dualidade. Prazer não tem nome. Beijo podia ser das duas línguas.

 

Como é isso? Uma chance perdida no impossível. Tentar viver o pouco tempo. Um único tipo de beijo. Nada de perigo, senão a incerteza! Queria eu saber o que não sentia? Ele era forasteiro. Poderia enxergar a verdade? Soubesse eu beber dela. Teria saltado a fogueira. Mas ainda foi antes.  Antes que eu entregasse minhas jóias. Entreguei apenas o cofre fechado. A chave escondi mais fundo. Engoli. Perdi. Me engasguei!

 

Eu o vi de novo. Novos braços o conduziam. No meio de uma multidão alheia a tudo. Tudo o cercava. Como seria o ideal? Decerto não era eu. Eu já não havia. Era outro. Éramos outros. Eu aqui do outro lado. Ele lá com outros beijos. Não eram beijos! O que eram aquelas entregas? Aquelas testemunhas me olhavam. Peito doído. Mãos geladas e soltas. O som do ambiente parecia além. Onde estavam meus pudores e rubores?

 

Não tinha onde. Era apenas o lugar de minha ausência. Sozinho! Eu estava de novo. Mas não era novo. Estava perdido no que eu era. Eu era alguma coisa para ele. Mas o que seria? Nada parecia o mais simples. Era mais difícil as mãos ao vento. Sem atrito, sem resistência. Quis eu esse caminho. Tava tão bem na solteirão. A cama que cabia minha solidão. De que valia o cheiro da presença. Extirpei fronhas cheirosas.

 

Passa. Tudo passa! Né verdade? Agora é passado. Sem interferências. O prazer das mãos. Sozinho é nova palavra. Aquele sozinho que deixei antes. Reencontrei antigas fotos. Nada de mãos dadas.  O que é isso? Isso passa; isso de sentir mãos juntas. Nunca mais! Nunca mais? O que fazer agora? Não sei. Apenas tento o novo ar. Ar de novos pulmões. Sangue novo. Aparência de antes. Tudo como antes. Escova no copo. Uma escova apenas. Um sonho apenas para colocar no único prato!

2 Comentários

  1. tiagosoraggi disse:

    Por que sobrevivemos e, pra quê? Me disseram porque é a ordem natural, mas eu nunca vi situação tão antinatural assim. Peito tentando viver, amado Roberto, peito doído!

  2. Peito doído…combinar com viver. É essa dinâmica da vida do ser humano, da condição humana que me faz crer que ainda estamos por ser felizes, lá no além, mais pra frente. Aí combinaremos coisas positivas com o ato de viver.

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