Coisas boas têm seu tempo para acontecer (reflexões sobre um pedido para entrar na história de sua vida)
22/07/2011
ERASURE, 04 de agosto de 2011
09/08/2011

AMY WINEHOUSE

EU TAMBÉM QUIS MORRER, QUIS CHORAR ANTES, MAS SERIA POUCA LOUCURA. FIQUEI ORFÃO. FIQUEI SEM PALAVRAS, MAS TIAGO SORAGGI VOCÊ “ESTRAGOU O CONFORTO DA SOLIDÃO QUANDO ENTROU EM MINHA VIDA!”_________________________________

TEXTO DE TIAGO SORAGGI

As lágrimas não ainda secaram por conta própria

Hoje, várias cabeças, assim imaginam, que os vícios realmente levam corpo e alma. Será que o vício do amor? Hoje, muitas cabeças comparam o corpo dela fino, magro, ressequido de amor a um de quadris largos, perninhas grossinhas um rosto róseo com suas bilhas verdes constrastando em seus cabelos que se imaginavam loiros devidos à cútis, mas eram um tornado negro, tempestade esta que saía de seu âmago em raios silenciosos, sofríveis, iluminando, apesar de muitos obscurecerem.Mas o som do relâmpago vinha em voz. Hoje, várias cabeças vão afirmar que pensaram que era negra, que pensaram que era uma senhora negra, que pensaram que era uma senhora negra com mais uma música de refrão chiclete, mas que era Blues. Ah! As cabeças! Os racionais! Os pensantes…

É necessário reticências para as mentes práticas, pois a prática, em suma, é reticente, é sem graça… São, na verdade, três pontos finais que querem ser um. Que não se finalizam… O que se finaliza, menina? Você Trovão, foi mais do que três pontos, você foi um ponto só e infinito.

Menina relâmpago, hoje minha carta pra você, a última, é para te dizer o quanto te entendo. E o quanto para te entender é preciso se livrar de todo o entendimento. Não é necessário ser racional para te ouvir. Você chega aos meus tímpanos pela vibração, menina. Pelo choque, pelo medo do choque, pelo disparo, no arrepio.

Hoje, também, as cabeças, lhe chamam suicída e que finalmente você conseguiu dar fim a você mesma. Também ouvi que você não tem cérebro, só talento. Ouvi que agora você não passa de um exemplo a não ser seguido. Eles estão errados, os cabeças? Não, menina! Não estão!

Torcemos tantos por você, por mais um disco, por mais um show, por mais um escândalo… só para ver você existindo por aí. Só para entender que seu coração ainda estava aí e não enterrado. Só para continuar acreditando que você seria mais forte do que os cabeças por aí.

Mas não garotinha, você não foi mais forte. Sua morte ainda é dada como inexplicável. Hoje eles abrirão você e acharão o motivo de sua partida. E mais uma vez os cabeças virão com aquilo que usam para existir e sobreexistir: A razão!

O que eles verão quando lhe abrirem? Nós emoção, os coração que não os cabeças, já sabemos o resultado de sua autópsia: Raios! Luz! Amor não ouvido!

Mas você não morreu pela razão. Voce não morreu! Você só explodiu em emoção meu amorzinho. Você é a emoção. Você causa inveja por que a razão não lampeja, a razão só breca, só acalma a luz, só apaga.

Você poderia ter sido mais forte, você poderia ter dito mais sim, sim e sim. Você poderia voltar às suas clínicas o quanto quisesse. Você talvez não tivesse os amigos que precisava. Mas tinham tantos outros que nem chegou a tocar e que tanto te amavam.

Mas você se entregou ao amor. Você disse que morria uma centena de vezes, então volte meus olhos verdes! Volte! Pois, para mim, você não é apenas uma moeda rolando paredes acima. Você também havia dito que “Não se pode ajudar quem não quer se ajudar”, Isso foi uma desistência? Por que, menina? É tão cedo… Você me ensinou a me rasgar por amor, você disse e chegou a alertar, chegou a avisar que você não era boazinha, mas você não era boazinha com o amor, com este que nunca foi bom para contigo. Afinal, nessa guerra profana, você me ensinou que o amor é um jogo de derrotas.

Você foi a artista completa, você não foi cópia de nada, você não era a “nova”, nada. Haverá, a partir de ti, novas. Você ressuscitou o soul, e tua alma, ressuscitará? Tua alma continuará clamando e teu corpo reclamando por vida e por amor e por calor em cada faixa dos teus discos, em cada vibração da tua voz, em cada arrepio de nós, os teus corações ainda não enterrados? Você era a artista da entrega, você elevou a decadência, você era a amante, a suja, a do chão, você era a que ficava sozinha no quarto, na sua cama, esperando por um pouco de calor.Você tentou agir igual a eles, linda. Você se manteve compromissada o suficiente para não se perguntar onde estava o amor, você ficou cansada de chorar. Eu estava lá contigo menina, você esteve comigo ao meu lado, escorrendo comigo enquanto tuas notas me faziam ainda vivo. Tentei limpar a casa contigo, tentamos beber menos nossos vícios, mas somos profundos demais, não somos silenciosos para nos calar com esse senso de contentamento que todo mundo tem e desaparece assim que o sol se põe. À noite, o amor continua ardente em nossos olhos, se prende em nosso interior, nos enche de medo, nos ensopam até a alma, e o amor nada em nossos olhos ao lado da cama, nos derramamos sobre o amor. Mas hoje a lua foi embora e você acordou sozinha…

Você era aquela que acreditava chorando, você é aquela que ainda espera. Você não acredita em ilusões como eles dizem: de se amar mais, esperar menos, querer mais. Você foi a que mais se olhou no espelho e não se viu. Você foi a mais aberta, a autópsia artística mais clara. Nunca negou que amava e ainda mais, mergulhou no amor e foi nadando cada vez mais fundo… E não teve mais tempo de voltar. Havia encontrado seus olhos no fundo de suas próprias lágrimas. Conhecer o amor é amar o amor, certo? Você me ensinou a encarar a derrota neste jogo de amor e a ter esperança de que não se diz adeus com o coração, apenas com a razão.

Quem vai acordar sozinho agora serei eu!

Sua música foi apenas gritos por ajuda, por amigos… Oh! Sinto-me agora tão sozinho. Eu também me encontro sem amor, sem amigos que me entendam. Só me rodeam cabeças, razões, praticidades, frio e vazio. Meu coração jaz contigo, minha linda! Minhas lágrimas secarão por si só, mas ainda não.

Pequena grande voz, você só amou muito. Amou sem medo do medo do amor te levar. O que te levou foi o amor. Onde está enterrado teu coração, agora ficará todo o teu corpo e quem voltará ao luto seremos nós, os que enterram o corpo e apenas restam de si mesmos o coração que teimamos em não enterrar.

Eu, Tiago Soraggi, que te amava por inteira, não me dispeço de ti, mas jogo um punhado de areia com pétalas brancas sobre ti.

Sentirei falta dos teus olhos, mas um dia voltarei a vê-los, secos, verdes e com um risco de lápis preto de dentro para fora e pra cima que só você, que verteu de dentro pra fora e que chorou lágrimas que não caiam , soube fazer como ninguém. Até logo querida Amy.

Nós só diremos adeus com palavras.

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