Cadê o Robertinho?
11/08/2011
TENTATIVAS
08/09/2011

T. R. Ê.S

Part I

No primeiro dia, eu queria saber o que dizer; as palavras certas, sopesando o mesmo carinho para os dois. Mas me atabalhoei e tropecei nas palavras a serem ditas. Saiu um:  seu beijo é mais gostoso, o seu é mais íntimo; o seu olhar fica sempre perdido em mim; o seu olhar está perdido onde?

E continuei nessas divagações iniciais e ingênuas. Eu não podia me mostrar por inteiro, especialmente em minha lascívia, no desejo de ter os dois ao mesmo tempo. Tinha que haver um ensaio, um diálogo, um triálogo, uma taça, não, duas, três taças de vinho.

Me digam o que se diz para dois homens diferentes antes de tê-los completamente…

 Continua…

Part II

Talvez a sugestão do amor fosse uma resposta ao susto levado a tê-los vistos em minha frente completamente discrentes. ” O que deveria ser isto?”, poderia sentir em cada pensamento, mesmo em cabeças separadas.  Eu esperava de mim um comentário justo, mas o que seria azado para um momento em que três pessoas se comiam como quem come uma comida exótica pela primeira vez?

Mas eu poderia dizer amor? Seria amor a palavra incial para o início do carinho? As primeiras carícias tinham que ser pensadas, como se meticulosamente eu esperasse uma reação segura e satisfatória? Não seria fácil não saber como reagir a um carinho não esperado. Quantos viriam? Quantas invasões adentrariam minha ingenuidade de ação? 

Mantive-me inerte. Não queria a inteligência de descobrir todos os caminhos para serem trilhados. Apesar de temer a minha falta de ação,  no íntimo, esperava que não soubesse nada, que me deixasse levar por um prazer desloucado de minha retidão herdada de uma educação por mais limitadora.

Amor ainda não era a resposta, apesar de gritar-me internamente que o que tenho de melhor é sim meu amor.

Continua…

Parte III 

(…)

Eu já cheguei quando tudo estava pronto. O grande girassol já tinha 20cm de diâmetro. Os cachorrinhos me receberam como visita estranha, senão a menorzinha que se jogava na grama, rolava e permanecia de peito aberto as minhas carícias de intruso. Mas ela havia me recepcionado bem. E eu pensava que ali residiria minha única dificuldade: adestrar o carinho de uma cadelinha já dócil e receptiva. Algo no meu peito me avisava que já estava prestes a encontrar a segurança, a tão propalada segurança que sempre buscara e somente encontrara num lar solitário; de uma pessoa boa, mas sozinha. Passado. Vivo desse medo atual. Eu chegara com o braços arrodeados como se segurassem um singelo bule de porcelana, tal era delicada minha entrada no novo recinto.

(…)

Mas eu não sabia como brindar a três. Era fácil entregar-se ao vinho. Sempre foi, mas, daquela vez, o vinho me trouxe pudor. Pudor de abrir mais uma garrafa; pudor de confessar mais uma idiossincrasia; de falar mais uma vez: eu nunca fizera isso antes.              

Mas o que pensam vocês? Que tenha sido uma tentativa somente minha? “Era sério!”, dizia um deles sem me olhar nos olhos. Olhava para o outro em sinal de aprovação, como se entendessem seus códigos corporais e gesticulados maquiavelicamente. Eu era novidade mesmo; naquele sentido de não ser descoberto de primeira, de me guardarem para algo mais meticuloso e mais duradouro…não tinham três taças iguais. Havia as deles. A mim, cabia a outra, a da visita, mas que também nunca existira. Improvisaram-me no gosto de uma das bocas…que vinho era aquele?

Continua…        

Parte IV 

Como poderia dizer o que é sexo, depois do que passei pelas quatro mãos? Tudo havia se perdido naquela cama. Minha experiência de nada valia. Onde estava meu juízo? Onde estariam minhas mãos? Teria as perdido por entre calças e cuecas desconhecidas? Como reparar o suor dos corpos se me cabia o espaço do meio? A dúvida se agigantava a cada volume de sangue que nos enchia. As vezes não podia sentir-me. Parecia que me era tudo simplemente um conjunto, um conjunto de calores, de suspiros, de desejos como se pudesse antecipar os destinos de minhas mãos sem norte.

Um gemido, não era apenas um gemido. Era algo, como se pode descrever isto…? Era uma pequena flâmula de fogo a expandir-se, que insinuava novas entradas e saídas. Como se houvesse caminhos bem orientados de onde entrar, donde sair, onde apertar, onde relaxar. Eu confundia tudo que havia aprendido. Eu me confundia com outro, não os outros, mas não me entendia, como se pudesse sair de mim e visualizar a cena completa por um ângulo superior. Seria aquela massa de corpos feliz e completa que Zeus por inveja e com um raio partiu? Felicidade seria algo naquela visão invejosa de um Deus?

Mas era sexo eu podia sentir em minhas costas, em meu ouvidos por vozes diferentes, em meus pés entrelaçados como desejos de uma fitinha do Bonfim. A boca se perdia entre tantos odores, novos sabores de beijos doces, de salivas trocadas. O gosto leve de álcool e de cigarro também se misturavam num resultado que me dava prazer – pode-se-ia dizer que eram doces? Sei lá…Eram salivas que se amalgamavam em um novo conceito que não queria saber de aprender. Eu apenas estava experimentado ingenua e  propositadamente toda minha ignorância de como conduzir dois homens.

Continua…

Pate Final de um grande começo

Um entrou por trás. Senti-me ameaço pelo seu rosto que não via. Os olhos miravam a parede fixamente. Sem perceber o outro abraçava minha cintura, olhos dele fixos em mim. O que me parecia o início de um ritual, era apenas uma grande ameaça de me aprisionar. Senti-a me preso aos olhos que enxergavam todos meus ângulos mais importantes. Por um instante me percebia parte de um jogo. Saberia eu jogar?

Fechei os olhos. Já não os via como deveria ver. De longe eles me observavam num gostoso soriso conjunto. Os cantos das bocas levemente excitados. Deveria cerrrar as cortinas e preparar a história para o outro dia, antes que me comessem? Ou deixaria de ser levado pelos braços do bailarino e dexar-me-ia conduzir num solo improvisado?

Abri os olhos, mas as vendas me deixavam ver apenas o que pudesse sentir por outros meios. Tateava-me como se quisesse saber se ainda não havia sido comido pelos olhos cheios de dentes e línguas. Novamente, senti-me entregue. Meus lados tremiam só em pensar onde eles poderiam estar. Abri a boca para saber se poderia receber alguma dica. Inclinei meu torso. Tateei mais uma vez o epaço vazio…Só me restava sair do jogo e abrir-me as vendas. Desistir de tentar.

Abri meus olhos com a ajudas das mãos. Era tudo um sonho. Onde eles deveriam estar? Estavam por detrás das vendas. Teria que colocá-las novamente. Hesitei. Levei aos olhos as vendas reveladoras. Apertei o nó e tentei enxergar minha excitação. O cheiro logo veio ao nariz com um leve teor de suor. Senti um calor. Mas era calor de corpo de aproximação, de uma aproximação de sangue pulsante, de fôlego irresistivelmente reconhecível. Calores como vapores contra vidro fresco. A pele exsudava de tanto calor. Não deveria ter tirado as vendas.

Senti. Esta palavra foi a que mais empregeui em minha mente. Senti as presenças novamente. Pela segunda e derradeira vez entreguei-me como se pudesse falar pelos meus olhos fechados. Meu coração levemente pulsando por debaixo do peito; a pele dilatava-se. Se alguma vez tive que me  render em uma guerrra, esta seria a primeira vez que me submetia a dois desejos diferentes e congruentes ao mesmo tempo. Deixei tudo correr pelas mãos deles. O sopro ao ouvido de palavras sujas e doces; o toque sôfrego e macio; a boca enxuta e molhada de tempo em tempo. Os sexos conversavam sobre intimidade. Eu já não sabia o que fazer. Só tinha uma única certeza: não deveria tirar aquelas vendas mágicas que me mostravam o real prazer.

2 Comentários

  1. Yon Muniz disse:

    Diga a universal e abrangente palavra “Amor”

  2. Fabricio Oliveira disse:

    Desejos ardentes pulsando em um experenciar de corpos, beijos e abraços.

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