T. R. Ê.S
30/08/2011
Pinóquio com alma
17/09/2011

TENTATIVAS

E

        u já não sei mais quem sou eu. Quando me penso farto de algo próximo do comum, começo a pensar no exagero de uma despedida completa desse pensamento. Estou aberto, eu acho, novo para entender as complexidades da vida em comum. Largo certo vícios anteriores como o de falar de outros amores; mesmo sendo coisas do passado e memóraveis: arrepio na espinha de um sexo deixado na memória da pele. “Não, nunca se deve falar desses arrepios do passado”, algum amigo já falou. Calei-me para isso. E tento partir do famigerado ou bendito novo. Estou no começo e é assim que tem que ser: as regras do gostar que mais se parecem exceções vão construindo um codex limitador. E mais e mais vou me fechando de mim, aprendendo a ser ou , do outro.

Q

       uando vou aprender algo de fato? Como quem aprende a dizer não! As coisas mais simples estão na negativa da morte; na negativa de não pular; de não correr riscos; de negar a impaciência. Estou buscando essas coisas simples, mas esbarro no perigo da constante aceitação irrestrita. Saber dizer não é uma sabedoria. Mas de onde posso obter essa sabedoria se me entrego de pronto a uma especulação da vida? E sabedoria tem a ver com resignação de certos poderes egoístas que criamos como defesa. Estou velho e aprendendo que a vida está na novidade e na efemeridade, daqui a pouco sou história na boca e vida dos outros. Não passo de uma tentativa. Aliás, sem dramas existenciais, todos nossos somos tributários de nossa memória póstuma, num amigo, num parente, numa foto, num livro. Não há superação que atinja esses meios. Somos fadados a viver nos outros.

A

        í espero na cama o que queria como verdade: o carinho, o sexo sem procura externa, a segurança…enfim, tudo não passa de ideia nossa, inventada, que ocorre de uma em um milhão. A loteria da verdade. Eu sempre jogo para acertar, mas nem sempre a vitória coincide com planos miraculosos de assistida garantia. Viver é criar pequenos sentimentos para serem herdados, nada prospera aqui.

T

         alvez a espera seja um alento para quem deseja muito da vida; talvez o sonho possa ser um corolário disso tudo. Sonhar tem me feito mais humano, mas não feliz. Felicidade saiu do campo do altruísmo para virar um truísmo de copo plástico, bebe-se no seu e joga-se no lixo. Lá, mais na frente, vou usar outro copo e enchê-lo de minha pretensa sede por tudo, depois jogo fora tudo de novo. E tem reciclagem para isso?

A verdade e a felicidade podem ser jogadas fora e resgatadas sustentavelmente alteradas?

O

        rivotril bateu agora em que as palavras começam a achar a minha verdade. Rendo-me a uma satisfação de completa nulidade do pensar. Confesso que as coisas se confundem. Não são mais o que se trata de espera e de enlouquecimento. Sei do tempo, porque pareço que vou morrer devagarzinho agora, para a amanhã me encher de um novo nada, ou uma nova verdade, ou quiçá, uma nova esperança. Tento ser ainda eu na procura de um encerramento bonito para o texto de agora. O diário das dores começa a amenizar de certa forma, mas ainda assim o mote de minhas angústias é que rebatem herculeamente com os efeitos da tarja preta.

1 Comentário

  1. kATIA disse:

    JA GOSTEI…

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