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Um pensar caótico

Se tudo pudesse vir a se mais do que o porvir, teria eu alguma certeza além desta da morte, – é pequena diante da vida -; que tenho de autenticamente meu? Minha escrita? Minha verdade? O que é o futuro diante de uma perspectiva decadente do ser?

Eu sou mais do que o além o póstumo, do que realmente posso ser agora. Somente no pó, na poeira é que a essência é vista. Na matéria própria somente existe a matéria insípida que se autoinventa a todo o momento.

Eu sou a matéria de mim, presa à própria excrescência de um estado anormal, perambulando pelas coisas que existem imutáveis. A única coisa que existe é o tempo presente, a inscritura de uma lápide. Meio catastrófica minha visão de futuro, não é?

Nada parece uma resolução melhor do que um ócio elegante e emergentemente absurdo, nem para o viver, nem para a morte. O nada pode parecer simples como dormir em tempo de descanso, parece ser mais do que um paliativo para a vida.

Então, o que resta depois da espera? Se não for o isso de agora: não é sensação de ontem, tampouco alvíssaras do amanhã. É tudo um pouco de nada e absurdo. Hoje tudo parece um pouco fragmentadamente vazio.

2 Comentários

  1. Dolorido o seu caos, hoje… queria estar perto, conversar com você… Mas temo que o meu caos seja bastante parecido com o seu. O que me salva é a autoparódia, mas ela não é receita para tod@s. Enfim, se você já tem de autenticamente seu a sua escrita, como fala interrogativamente, já é bastante, não?.. A maioria não tem nada, nem mesmo isso, nem mesmo a dor, a maioria têm, tudo pasteurizado… E, no entanto, vamos levando, de caos em caos e, às vezes, dando ótimas risadas… agora, que teu caos é poético e questionador, ah, isso é…
    Beijo do amigo preocupado,
    Ricardo Aguieiras
    aguieiras2002@yahoo.com.br

  2. A preocupação encerra somente em si o carinho. Fico feliz com o carinho sabendo ser uma das respostas para o absurdo. O carinho transforma, cria almas dentro de um corpo vazio. Isto preenche e aviva!
    Obrigado pelo carinho, opa, preocupação!

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