Luz nas Trevas – A volta do Bandido da Luz Vermelha
11/05/2012
Novos Lançamentos
06/02/2013

Difícil dar um título.

Retiro as roupas da mala. É um sinal de que vou arrumá-la novamente. E novamente uma nova viagem de volta. Os novos livros roubados do irmão, levados numa sacola que logo fica cheia – mais um indício de retorno.

Ideias se revoltam na cabeça na procura de um cansaço no papel. Invento as pessoas para caber na estória e um novo livro vem à mente. Tudo culpa da experiência. As exigências de fora e de um novo escritor interno – que está adormecido por tantos pensamentos, ou seriam pesadelos?

(…)

Mamãe segue uma rotina. As coisas não podem sair do lugar.  Não posso intervir no sentido das coisas por temer em tirar-lhe o sentido de tudo. Continuo passivelmente observando sua luta diária e manual. Tento me culpar, mas não há culpa se não há crime. Continuo a apreciar o quanto uma heroína não precisa de guerras.

Memórias são inescapáveis. Não consigo colocá-las num entulho sem significado, nem queimá-las como os antigos papeis amarelos. Queimar seria um crime. (…) O quarto continua o mesmo, com seus quadros vivos e suas paredes sorrindo em velhas rachaduras.

(…)

O poeta se senta entre os outros, mas a velhice já lhe é pesada. Misturo-me para parecer culto, para reforçar as leituras, e a voz sai embargada cheia de insegurança Mas grita  lá dentro a alma de um artista que precisa do tempo.

(…)

Está quase tudo pronto: uma roupa sobre a outra. Tudo parece ordenado, pois tudo precisa de uma certa sequencia, uma continuidade. Devo partir para cumprir uma ordem que nunca fora minha, a certeza das coisas está sempre na voz dos mais velhos. Por esta razão, sinto-me preso ao passado, já não sei se tenho mais futuro. O presente ainda alegra.

À noite uma música revela em sua letra a verdade do momento. O que nos unem além da amizade, são as histórias de nossos amores; nossas paixões. Se há um silêncio é para uma pausa para os olhares e sorrisos. E a continuidade das vidas se faz do desembaraço daqueles nós de amizade. Logo logo a vida volta pra ordem.

(…)

Minha mãe quer segurar a mala, quer segurar o choro, mas é impossível suportar a tensão, a atuação. Debulha-se num choro que parece de longa despedida. O velho jovem escritor se emociona em mim. A história está pronta para contar a verdade pela ficção que me tormenta. O livro está pronto na cabeça, mas a cabeça não está pronta para mais uma despedida.

Um antigo destino que parece ser o último, um porto seguro. Braços ansiosos esperam pelo escritor cheio de histórias, livros novos. As lembranças serão revividas. Uma lágrima ou duas revelaram a verdade. A continuidade da vida se dará no esquecimento do que ficou no vazio da bagagem que ficou de onde veio. Um vazio se agiganta para que na próxima ida tudo volte carregado de memórias. E essa é a continuidade da vida; uma certa ordem para o caos; uma certa alegria guardada como antídoto para a tristeza.

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