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Nossa brasilidade utópica

Nossa brasilidade nada utópica

 

Folheava uma revista de circulação nacional, quando vi a proposta do professor de Economia, Eduardo Giannetti, sobre a experiência do Brasil na promoção de sua própria autonomia com base na sua tropicalidade. Em resumo seria mais ou menos isso o que eu tinha entendido das suas ideias bem neoliberais. Fato que cria certo paradoxo, vez que esta ideologia liberalista flerta com certo passado genealógico, e uma provável cartilha a ser seguida, no que tange a preceitos de ordem econômica e financeira.

Como posfacia Caetano Veloso, o livro TRÓPICOS UTÓPICOS do professor Eduardo é um guia filosófico com base nas impressões um tanto quanto metafísicas sobre, como ele mesmo expressa: “a longa gestação deste livro se confunde com tudo que vi, li e ouvi desde que me dou por gente”. E me parece que é bem por aí o tom usado nos seus registros aforistas. Pois cada mensagem com este tom confessional ou filosófico tem um aforismo como introdução, uma espécie de provocação ao pensamento.

O livro pretensiosamente cria uma sensação de que algo dividido em peças de quebra-cabeças quer concluir por uma existência fragmentária de um ser, mas, de fato, é apenas uma compilação de pensamentos que se comprometem com as questões constitutivas de um pensador por natureza. Cada aforismo, que inicia suas ideias, parece irromper alguma preocupação legítima de quem está o tempo todo racionalizando as próprias certezas.

Acerca do liberalismo político e econômico ele se indaga: “as escolhas individuais devem ter a última palavra?”.

Não estaríamos sendo bombardeados por uma série de informações e sugestões que pré-orientam nossas vontades e desejos consumistas?  E sendo assim, não estaríamos sendo objetos mais do que sujeitos de nossas determinações? Não há respostas, mas uma maiêutica próprio de quem nos provoca a reflexão.

São tantas as inspirações com que flertamos nos microtextos de Eduardo que precisamos, às vezes, recorrer a um momento de pausa para refletirmos sobre nossa condição humana/mundana.

Há nele uma preocupação com o nosso cientificismo mascarando nossas atitudes e pensamentos, cremos na incontestável máquina da ciência em produzir conhecimentos e explicar nossas angústias diante da perfeição da natureza. E ele se pergunta se acredita ou não numa criatividade divina. A resposta…só lendo.

Mas o que mais me fascinou foi a quarta parte do livro, que versa sobre nossa tropicalidade como argumento ontológico; uma forma de nos vermos como brasileiros capazes de criar nossa própria salvação, criando assim uma tecnologia humana nas nossas características mais intrínsecas e desacreditadas. Num país, que sempre se anuncia com o alto teor de complexo de vira-latas, talvez a solução de nossos problemas seja assumir nossa brasilidade.

Vale a pena ler para entender o que podemos (como pessoas e nação) ser.

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