ESCOLHI VOCÊ Sobre o polêmico vídeo da Clarice Falcão

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ESCOLHI VOCÊ Sobre o polêmico vídeo da Clarice Falcão

Sobre o polêmico vídeo da Clarice Falcão

Polêmicas X Polissemia
E não estamos sempre escolhendo as pessoas pela sua genitália? Não estamos mais envolvidos com as pessoas pelo o que elas têm entre as pernas? Às vezes, até fortalecemos uma opinião por uma pessoa possuir certa genitália em detrimento de outra. Mas alguém poderia dizer que a música da Clarice Falcão tem um explícito discurso. Mas será que haveria apenas um?
Ao colocar as genitálias em destaque, a cantora cria uma imediata discussão sobre nossa predileção pelas genitálias. A música se intitula: “eu escolhi você”, um ato espontâneo de nos cercar daquelxs que nos agradam por diversos motivos e motivações. Ela vai enumerando algumas possibilidades, ela fala de uma escolha “menos pior”, “falta de opção”; também há aqui uma relação com algum tipo de afeto. Mas ela então usa o critério da genitália. No entanto, ela não restringiu esta escolha por uma genitália específica, colocando os sexos em disputa. Quem ela escolheu? Homem ou mulher ou ela quis enfatizar a orientação sexual? Ainda ela termina enfatizando um aspecto subjetivo de ser ou não ruim. Então ela volta ao ponto do menos pior. Mas pode ser o(a) menos pior na cama, uma outra escolha que fazemos dos nossxs parceirxs. Aí de novo o sexo vem em primeiro lugar.
Sei lá se ela pensou nisso tudo, mas o que me incomoda é como as pessoas vêm a nudez, principalmente do homem, ainda como algo abjeto, feio e enquanto a mulher há uma certa naturalização da sua nudez: coisas do patriarcado. Algumas pessoas conhecidas acharam um absurdo o fato da exposição das genitálias de uma forma tão escancarada. A música é um pequeno libelo pela escolha, pela liberdade de ficar com quem quiser. Temos uma voz feminina que atesta uma predileção por “você”, e no vasto campo das escolhas ele prefere quem? Isto importa? Mas então por que o nu? É também uma escolha? Ela poderia ter escolhido usar os estereótipos atrelados a cada gênero, não é? Como suar saias e calças para distinguir as pélvis escondidas. De novo estaríamos fazendo as escolhas pelos padrões estabelecidos, seguindo uma normatização do que deve ser apropriado. Mas aí temos o nu de cada genitália, na sua diversidade de tamanhos, cores, formas e adereços. Mais uma vez estamos escolhendo-as por estas características: tamanhos, cores, formas e os adereços. Mais uma vez atribuímos um valor à nossa escolha. E não estamos sempre escolhendo uma alta performance nas nossas escolhas?
Acho que a escolha da Clarice Falcão foi feliz porque trouxe uma gama de discussões que rondam o assunto do afeto e do sexo.

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