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FAMA em tempo real

O espetáculo #Fama em tempo real é uma despretensiosa viagem ao mundo metalinguístico do fazer teatral que mistura dança e música. É uma viagem de paisagens bem escolhidas tanto no cancioneiro nacional, como dos grandes musicais internacionais. Achei potencialmente ousado. Merecia recursos para uma grande produção, tão grande quanto à imaginação de João Vasconcelos e direção de Adriano Abreu.

Alguns “bifes” são memoráveis, como aquele em que João fala: “enquanto houver fita crepe e viado, haverá teatro (arte)!”. Não deixa de ser uma verdade, mas não limitadora. Temos uma diversidade de pessoas espalhadas em cena que transita por musicais importantes como Mamma mia (2008) e Footloose (1984). Tudo cantado ao vivo por cantores piauienses com versatilidade comprovada pelo talento e desenvoltura.

Mas não é apenas uma viagem musical é também fílmica passando por alguns filmes emblemáticos como Good Morning, Vietnã (1988) – a semelhança entre Adriano Abreu e Robin Willians é impressionante, até pensei que fosse ele na projeção que antecedeu a abertura –; Singing in the rain (1952). Enfim, foi um passeio delicioso que enchia meus olhos com as memórias afetivas daqueles filme e músicas, com as intervenções dos artistas e dos próprios diretores, quebrando a quarta parede, fazendo do espetáculo uma deliciosa sessão  ensaio aberto.

Os atores são submetidos a uma audição na qual seus dotes artísticos são avaliados. Vê-se que há uma crítica à vaidade dos artistas que se acham a própria arte personificada. “A vaidade mata o diabo”, encapsulado na “cena” em que os atores se confrontam com espelhos iluminando os próprios egos. Suas imagens repetidas revelam a busca da perfeição, mas também revelam a rivalidade e a vaidade.  Escrevo tudo isso sobre o espetáculo como se fosse grande, e poderia, se não fosse a assumida falta de recursos. Era para ser grande, como um grande musical. Mas alguém pode dizer que o lastro usado dos grandes musicais – a recepção, crítica e sucesso – são desvantagens para uma produção que se autointitula musical, mas é aí onde entram em cena os cantores. Nada de play back. Eles atuam, cantam e interagem com os dançarinos (nem sei se são apenas isso). A dança é outra grande potencialidade do espetáculo. Coreografia precisa e plástica, harmonizando com a proposta de misturar as artes. E os músicos da banda que também performam ao vivo, também atuam. É um grande e divertido ensaio artístico de todos envolvidos.

As músicas também fazem uma viagem pelas nossas mais emblemáticas vozes como Elis Regina, Djavan e Cazuza. Não deixa de ser quase uma experiência sinestésica entre sons e paisagens musicais.

E há também o pastiche, a comédia dos artistas diletantes, sonhadores que entram em cena para encontrar uma oportunidade de fama.

E finalmente conseguem os famigerados 15 minutos de fama.

Ficha Técnica:

Equipe técnica –

João Vasconcelos – Direção e Produção Geral

Pablo Erickson – Iluminador

Fabiano Bezerra – Gerente de Som

Edithe Rosa – Costureira/Camareira/Contrarregra

Adriano Abreu – Direção de Cena

Stella Simpson – Figurino e Caracterização

Antonio José – Gerente de palco

Marcio Britho – Operador de Som

Cantore(a)s

Cláudia Simone – Cantora

Gislene Danielle – Cantora

Vieira Neto (Kiko) – Cantor

Bailarino(a)s –

Chica Silva – Coreógrafa e Bailarina

Jeciane Sousa – Bailarina

Zé Carlos Santos – Bailarino

Robert Rodriguez – Bailarino

Músicos:

Fábio Mesquita – Piano e teclados

Lucas Coimbra – Direção Musical e voz

Lucas Santana – Guitarra

Machado Jr. – ContraBaixo e Voz

Roberto Carvalho – Bateria

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