Sete minutos depois da meia noite

UMA QUESTÃO DE JEITO (Primeiros capítulos)
09/01/2017
Entrevistas mortas
21/01/2017

 

 

Um menino velho demais para ser criança e novo demais para ser adulto. É mais ou menos assim que Conor, um menino frágil e introspectivo, é definido. É um filme tenta penetrar neste pequeno mundo de um menino em difícil processo de formação de sua personalidade. Creio que por ter base no romance a Chamada do Mostro (de Patrick Ness autor também do romance no qual o filme se baseia), trata-se de um romance de formação. E Conor deve resolver pequenos grandes problemas: o câncer da mãe e os recorrentes ataques de bullying sofridos na sala de aula.

Eu sempre me aproprio destas manifestações fílmicas para ver com meus próprios olhos. O interessante deste filme é o tratamento dado à construção do imagético deste menino, levando sua realidade à fábula de uma amizade com uma grande árvore falante com forma humanoide. Pelas minhas análises este monstro funciona como um antepassado (noção do eu histórico), certamente o avô materno – fato percebido pelos porta-retratos revisitados e do final do filme – que não deixa de ser também um espécie de alterego do próprio menino.

É uma experiência delicada e linda, quando há o recurso de desenhos em aquarela, que tem o papel de ilustrar as três histórias contatadas pelo monstro a Conor, em troca, este deve contar uma quarta e final história para o próprio Monstro. Tudo muito simbólico, usando este realismo fantástico para demonstrar todo o processo de amadurecimento do jovem Conor. Não dá pra não relacionar com o conto de fadas de João e o pé de feijão: a necessidade de crescimento e maturidade do menino é muito semelhante.

As histórias têm uma forma particular de contar estas narrativas um tanto quanto metafóricas. As mudanças pelas quais Conor deve passar são pinceladas em pequenas lições de moral que são veiculadas. Mas o interessante é observar que elas revertem alguns conceitos estereotipados que envolvem os conceitos maniqueístas de quem pode ser do bem e do mal. Somos potencialmente maus. Assim quero analisar algumas histórias, ou por pensar que as pessoas estranhas são más e as conhecidas são boazinhas. Conor percebe que pode ser bonzinho, não quer dizer que não possamos fazer mal. Ele mesmo tem este potencial percebido.

No final, ele deve contar a sua própria história, finalizando a proposta do grande monstro. Sua verdadeira história é a solução para seu pesadelo recorrente. E livrando-se deste grande peso, ele verbaliza seu medo, superando seu grande medo. Não é um grande e imprevisível desfecho, mas nos emociona. Na última cena, percebemos o porquê deste grande Mostro ser parte de uma grande história enredando a história da família ou da nossa humanidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *