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Beleza oculta

Um lindo drama sobre três abstrações tão reais em nossa vida: amor, tempo e morte.  Mas elas parecem não tão abstratas ao ponto de serem encenadas em nossas vidas materializadas em tantas coisas palpáveis. É neste cenário entre a loucura e a razão que Will Smith, interpreta Howard, um brilhante, carismático e criativo publicitário. Num certo momento da sua vida, a perda de sua filha, Olívia, de 6 anos, contribuiu para que se isolasse de toda a sua cadeia social de interação.

O filme é uma linda história de superação da dor e sobre amizade, de não ser abandonado e de não desistir de dialogar pacificamente com o amor, o tempo e a morte.

O conflito de Howard é não aceitar a dor da perda de sua filha, justamente por não conseguir harmonizar o tempo, que perdeu para viver e acompanhar o crescimento de sua vida; o amor, que escapou pelos olhos de sua filha e a morte, que não ouviu aos seus apelos. Diante deste abandono de todas estas instâncias, rendeu-se ao desligamento com este mundo físico em suas formas mais simples e precárias de interação.

A luta pela vida era uma clara desistência de investir no tempo de seu trabalho, dos amigos e da própria vida; do amor de sua esposa e pela entrega, quase suicida de sua existência.

Diante desse cenário, três amigos de Howard, tentam estrategicamente entrar na sua nova realidade. Howard, para tentar ainda, com o resto de razão que possuía, ele enviava cartas. Estas cartas eram escritas para estas três instâncias, e revelavam sua revolta com cada uma delas. Aí entram em cena, três atores. Cada um, de acordo com o plano dos amigos de Howard, encenam personificas numa velha branca (morte), um jovem negro (tempo) e uma linda jovem (o amor). Parece um tanto quanto óbvio o recurso dos amigos, mas este é o grande trunfo do filme (sem spoillers).

Will Smith, para mim, parece o mesmo, de tantos outros dramas que fez: o mesmo rosto triste e o olhar cansado. Mas o filme é de uma mensagem tão sutil, mas igualmente forte, que nos deixa pensativos sobre nossas escolhas e como, inteligentemente, conciliar aquelas três instâncias de nossa frágil existência.

 

 

Dirigido por David Frankele e escrito por Allan Loeb.

Elenco:

  • Will Smith – Howard Inlet
  • Edward Norton – Whit Yardshaw
  • Keira Knightley – Amy / “amor”
  • Michael Peña – Simon Scott
  • Naomie Harris – Madeleine
  • Jacob Latimore – Raffi
  • Kate Winslet – Claire Wilson
  • Helen Mirren – Brigitte
  • Enrique Murciano – Stan

2 Comentários

  1. Claudio Bueno disse:

    Muito bom, blog muito interativo, sua literatura é muito plausível tem um grande valor. Geralmente quem escreve por causas socias, ou literatura fantástica e fantasiosa é muito críticado, parabéns, excelente trabalho!

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