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Um caminho

E no fiar de minhas linhas tristes, aqui acolá, eu emendava com fuxicos alegres, coloridos. Não era toda vez que fazia isso. Boa parte era apenas meu rendado de tristezas. Eu e meu rendado.
Queria fazer um caminho de mesa, uma toalha pequena, nada muito elaborado, apesar de minha linha ser infinita. Tinha linha para muitas estórias e bordados. Às vezes, me pegava falando sozinho neste inventar de coisas para o meu entreter. Demorava a minha confecção. Eu me iludia em criar coisas úteis. Quando terminei o caminho de mesa, não tinha copos ou adornos para ele.
Continuava a rendar aquelas coisas que tinham um fim.
Meus fuxicos iam acabando e só tinha espaço para meu fiar de linhas tristes. Eu nem lembrava mais do que tinha feito com eles. Como eram lindos! Deixei tudo apenas com as cores da tristeza. Fiava por fiar, costurava por costurar; sem emendas, nada mais a desenhar. Apenas histórias ia compondo no meu triste tear.
(…)
Até que um dia juntamos nossas mãos sobre um velho caminho de mesa, esquecido numa história do passado. E hoje, faz todo sentido ter criado minhas tristes rendas!

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