Algumas palavras sobre um texto dramático pelo dramático e poético de um ator

RAROQUERER HARAQUIRI
10/06/2017
Leitura dramática do texto ONDE ESTÁ A REVOLUÇÃO? (Livraria Blooks. São Paulo. Junho de 2017)
20/06/2017

Algumas palavras sobre um texto dramático pelo dramático e poético de um ator

Sobre “Raroquerer Haraquiri” Leitura Dramática, de texto de Roberto Muniz Dias, realizada durante o II DIGO Festival Internacional de Cinema em Goiás, ato realizado pelo ator Rodrigo Ungarelli.


Do autor:

Publicado por Roberto Muniz Dias, em 10 de jun de 2017, no youtube

Da recepção de um ator:

“Pra começar, o trocadilho muito feliz Raroquerer Haraquiri é uma sacada de aprendiz de feiticeiro, aquele que sempre vai superar o último preceptor. Traz novidade desde o jogo das palavras, mais todo o universo que há nas linhas em si, nas entrelinhas e para além delas em proposta criativa.

Quanto à dramaturgia de cena: gosto desta terra do escritor, em seus desmanchados de pisar e livros e consoles e vinho e bebidas e a taça de drink e banco (cadeira de sala confessional/divã de casa) que se misturam e um “mar” (MARCA DE TECIDO AZUL) recortando espaço de caminhar das memórias do escritor, enleado pelo sentimento quente, navegado do coração rubro (QUIMONO VERMELHO, segunda pele da personagem) que regurgita o tempo do pensamento que revira as memórias.

Ao figurino: um quimono de kamikasi que desnuda o sujeito do (seppuku/harakiri), na dialética do corte, ruptura quebra do paradigma,rompimento do interdito. Kamikasi, porque leva consigo um coletivo a ser desprezado na “liberdade” de nova vida, novo tempo. A gueixa que escolhe o destino, desvia-se das marcas da tradição em nome da nova edição de novo viver.

1ª experiência/leitura dramática do monólogo realizada pela atriz Silmara Silva em Teresina.

 

Quando a personagem se desnuda vejo um quase jovem pan e sua música mágica ou um sátiro que enleia melodias e  as distribui aos outros, através da flauta presenteada (daí à dialética, ou semântica, que a flauta tome… seria outra recepção). O intérprete/leitor/ator tem uma natureza imberbe, mas sem a força da gueixa (silenciosa/pragmática/medida em métodos da tradição milenar da cultura japão), as idiossincrasias do ator, às vezes, (não sei se proposital), sobrepõem a gueixa, mas se um jovem pan aparecer fica na média entre os deuses e os mortais, divinos e mitos e o inconsciente (arquétipos) incorporado às falas do corpo que geram imagens mitológicas, em visitas aos mortais. Nalgum momento, a pedagogia da imagem da narrativa fica infantilizada e, talvez, o neutro, melhor valorizaria ação de leitura textual, mas noutros momentos as falas de corpo definem identidade com o textual. O ato de vasculhar o “baú de ossinhos”, em paráfrase ao “baú de ossos” (o terno e o frango, do paulista Joca Oeiras), é de imagem que ilustra bem, haja vista as coisas, os objetos e a mala de memórias aberta e, recolhidos de dentro as armas de prazer (flauta) e dor/rompimento (punhal). A morte brechtniana se instala bem e o desaparecimento da “mulher”, de lábios pintados, que se esvai na luz em resistência ao black out revela a transição/passagem de sombras à Luz e luz às sombras das memórias.

 

O ator Rodrigo Ungarelli dando voz e corpo à personagem do monólogo.

 

No piscar ao escuro, um barulho ensurdecedor vai (na obra aberta) gerar a nova luz já apontada no discurso. Mas, o essencial, na Leitura Dramática é o texto, é indispensável. As imagens e cenas mais particulares devem ser de desenho mais limpo e sempre coerentes ao discurso das falas do texto, não que haja na leitura essa falha (trágica), mas o mais é o menos e o menos é sempre o mais, na simplicidade. Mais respostas, só na leitura do texto original. Ah! A música é linda e o diálogo com as novas tecnologias, áudio visual das memórias alter ego, de supervalor do si no outro do outro no si, revela bem ao conjunto dramático, abre costura e recompõe capas da cebola dissecada”.


Manoel da Cruz do Nascimento (Maneco)  é ator, radialista, professor, jornalista, blogueiro, diretor de teatro, revisor de textos e criador contumaz e rebuscado de textos para não morrer de tédio.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *