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06/08/2017

O Filme da minha vida

 

Eu gosto do que o Selton Mello está fazendo como diretor. Há uma delicadeza em forma de silêncio e cor. Não à toa, O Filme de minha vida parece um álbum de fotos, tanto faz em preto e branco, sépia ou colorido. Há uma singeleza destas nuances compondo um cenário de nostalgia e esperança. Foi assim que me senti quando vi as últimas fotos, digo, cenas.

Coloquei este comentário na sua página pessoal:

Assisti. Fiquei muito tocado. A música ao fundo falando dos amigos que partiram. E ao mesmo tempo quem parte é o pai. O maquinista e sua função que é mais do que de diminuir distâncias. É tudo tão poético. O sorriso de Tony que remete à ingenuidade e, ao mesmo tempo, à descoberta da vida como ela se desenha pelo tempo. Pequenas epifanias carreadas pelas folhas secas; a maravilha metalinguística do cinema. Tantas metáforas. Quanta poesia nas imagens. Simplesmente lindo.

E não dá para falar mais. Qualquer afirmação vai ficar arrodeando os termos: poético, plástico, tocante. Palavras iriam se juntar a tantos adjetivos sinônimos, e a essência continuaria esta, e não outra, que atinge a alma, a sensibilidade de quem descobre a verdade das pequenas coisas. As personagens se movem num ritmo tão estranho, que acabamos por entender que este detalhe é próprio de nossa condição limitada. Mas a ideia fixa de Tony parece a vitória do herói que voltou de guerra: feliz e com o prêmio nas mãos. Mas não se vangloria à toa. A viagem o deixa mais maduro e pleno. O mesmo sorriso anterior, antes melancólico, agora se enche de alegria.

E mesmo que ele não queira contar o final da história, todos nós sabemos como vai terminar: para além daquela última fotografia.

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